França: volta ao Brasil ainda é “incerta”

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Publicado sexta-feira, 25 de abril de 2003 as 13:53, por: cdb

França é, hoje, um dos jogadores mais cobiçados do futebol brasileiro. Flamengo, Cruzeiro, São Paulo, Palmeiras e Corinthians já fizeram sua proposta pelo jogador que atualmente amarga a reserva no Bayer Leverkussen da Alemanha.

Em entrevista ao jornal Lance!, no entanto, França admite que sua volta ao Brasil ainda é considerada “incerta”, pois o clube alemão luta para escapar do rebaixamento e, até o fim do campeonato, não pretende se desfazer do atacante.

– Estou sabendo do interesse de vários clubes. Mas o Bayer somente se pronunciará após o fim do campeonato, já que o time passa por um momento difícil e, por enquanto, o clube está preocupado em se manter na Primeira Divisão. – afirma o jogador.

Principal aposta para o seu ataque, – o jogador foi artilheiro do Campeonato Paulista por quatro anos consecutivos, de 98 a 2001 – o Flamengo tem um trunfo para trazer França para a Gávea. O técnico do Rubro-Negro, Nelsinho Batista, trabalhou com o atacante no São Paulo, clube onde conquistaram o Torneio Rio-São Paulo de 2001 e o Campeonato Paulista de 98, e têm, até hoje, ótimo relacionamento.

– Tenho um carinho muito grande pelo Nelsinho. Ele é um dos meus principais padrinhos. Ajudou muito na minha carreira profissional. Durante o tempo em que trabalhamos juntos no São Paulo, sempre foi um excelente técnico e grande amigo. Tenho certeza de que, hoje, o Flamengo tem um dos melhores técnicos do Brasil.

Porém, os mesmos títulos que selaram a amizade entre o técnico e o jogador, criaram um vínculo entre França e o Tricolor Paulista, maior concorrente do Flamengo na disputa pelo atacante.

– Não é novidade para ninguém que tenho um carinho muito grande pelo São Paulo. Comecei uma história no clube e quero terminá-la. Faltam apenas 60 gols para me tornar o principal artilheiro da história do São Paulo.

Ainda assim, França diz que já conversou muito com Juan – zagueiro do Bayer, criado no Flamengo – e se sentiria confortável com a camisa rubro-negra.

– Hoje, só fico nervoso caso precise trocar a fralda de minha filha – afirma – Com certeza tentaria fazer o máximo que posso para conseguir algum título para o clube, da mesma forma que gostaria de estar fazendo aqui no Bayer. Diria até que me enforcaria para alcançar o máximo de títulos que a torcida do Flamengo merece.

O tom de França só muda para o desânimo na hora de avaliar as diferenças que marcam o futebol brasileiro do alemão. O atacante garante que a adaptação cultural não foi grande problema (“tenho a família do lado”) mas que, num futebol onde a força tem mais valor que a técnica, até o ritmo dos treinamentos pode virar complicação.

– Passei dificuldades nos primeiros três meses. O futebol alemão é bem diferente do brasileiro. Eles cobram muito no treinamento. O mais importante é a força e não a habilidade. O futebol alemão não tem técnica alguma. Uma curiosidade é que não importa se o jogo é à tarde ou à noite, sempre há treino forte pela manhã do mesmo dia. No dia seguinte ao jogo, no Brasil, usa-se piscina para relaxar. Na Alemanha a opção é uma corrida rápida de 6 km. Isso faz com que os brasileiros não rendam 100% na partida.