França tem um novo primeiro-ministro

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Publicado segunda-feira, 6 de maio de 2002 as 23:54, por: cdb

Em seu primeiro ato oficial desde a vitória esmagadora no segundo turno das eleições, o presidente da França, Jacques Chirac, nomeou, nesta segunda-feira, um novo chefe de Governo: o senador conservador Jean-Pierre Raffarin, um estreito colaborador. O anúncio aconteceu menos de uma hora após o primeiro-ministro Lionel Jospin ter entregado o cargo e a renúncia de todo o seu gabinete a Chirac.

Raffarin, de 53 anos, terá agora que formar um governo interino, que ficará no poder pelo menos até as eleições parlamentares do mês que vem. Embora seja pouco conhecido fora dos círculos políticos, Raffarin desempenhou papel crucial na campanha de Chirac à reeleição. O presidente venceu o segundo turno, disputado no domingo, com 82 por cento dos votos, contra 18 por cento do ultradireitista Jean-Marie Le Pen.

Aos 64 anos, o socialista Jospin prometera, há 15 dias, abandonar a vida pública após sofrer uma humilhante derrota para Le Pen no primeiro turno das eleições presidenciais. Jospin precisou de apenas 13 minutos para conversar com Chirac no Palácio do Eliseu e entregar o cargo.

Com a saída de Jospin, o foco da política francesa concentra-se nas eleições legislativas; Chirac já começa, nesta segunda-feira, a reunir forças para tentar levar seu partido, a União pela República, à vitória. Caso a direita não conquiste a maioria na Assembléia Nacional, Chirac será obrigado a indicar um primeiro-ministro de esquerda, inaugurando um novo período de “coabitação” – um pacto de divisão de poderes bastante desconfortável para o presidente, que perderia muito de sua influência.

Durante os últimos cinco anos, Chirac passou por uma tensa convivência com Jospin; agora, jura dar o máximo de si para evitar uma situação similar. Os institutos de pesquisa já têm uma projeção dos resultados das eleições de 9 e 16 de junho para a Assembléia Nacional. Chirac conseguiria a maioria com uma margem até confortável. De acordo com uma enquete do instituto Sofres, a direita deverá ganhar entre 271 e 331 das 557 cadeiras do Parlamento, cabendo entre 232 e 272 à esquerda.