França, Rússia e Alemanha querem ONU no Iraque pós-guerra

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Publicado sexta-feira, 4 de abril de 2003 as 15:19, por: cdb

Os ministros das Relações Exteriores da França, Rússia e Alemanha, unidos em sua oposição à guerra no Iraque, insistiram nesta sexta-feira, em Paris, na necessidade de uma participação central da ONU na reconstrução iraquiana, quando houver condições de paz.

Mas o chanceler francês, Dominique de Villepin, também disse que é necessário ter uma visão pragmática e reconheceu que as forças de coalizão dirigidas pelos Estados Unidos são as que estão em melhor posição para garantir a segurança do Iraque depois do fim da guerra.

Os três ministros insistiram que a unidade nacional iraquiana é indispensável para a administração no pós-guerra.

“Consideramos que a única organização que desempenha um papel central é as Nações Unidas”, disse Igor Ivanov, chanceler russo. Seu colega alemão, Joschka Fischer, acrescentou que as Nações Unidas podem “legitimar” o trabalho urgente da comunidade internacional depois da guerra.

“Em uma crise de tal importância, não deve haver discussão sobre este princípio” de legitimidade internacional, afirmou De Villepin.

Ele também advertiu contra a corrida por contratos lucrativos para a reconstrução do Iraque, país atribulado pela guerra e anos de sanções econômicas. “A idéia de que o Iraque pode ser o Eldorado, uma torta que os Estados podem cortar e repartir, não me parece algo compartilhado por nós”, afirmou.

Ivanov declarou que é “prematuro falar de reconstrução” e que não há discussões com Washington sobre o tema.

França, Alemanha e Rússia estiveram à frente dos esforços diplomáticos para que a guerra fosse evitada, pedindo mais tempo para que os inspetores de armas da ONU fizessem o seu trabalho no Iraque. Agora, com a guerra em andamento, defendem um papel central das Nações Unidas na reconstrução do país árabe.

No entanto, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, disse nesta sexta-feira, aos ministros da União Européia, em Bruxelas, que seu país deve ter “o papel principal”. Segundo Powell, as Nações Unidas não ficarão marginalizadas, “mas a natureza exata de sua participação ainda está por ser analisada”.

Os chanceleres europeus não falaram sobre esta diferença de opinião, reforçando a necessidade de uma união internacional para tratar do pós-guerra no Iraque e problemas como o terrorismo, a proliferação de armamentos e a crise no Oriente Médio.

Rússia e China

A Rússia e a China pediram uma suspensão imediata dos combates no Iraque e afirmaram que as Nações Unidas têm de desempenhar um “papel central” na resolução política e subseqüente reconstrução.

“A guerra está ficando mais séria a cada dia, e mais e mais pessoas estão sofrendo. Pedimos o fim imediato dos combates e a volta da busca por uma solução política”, afirmou o vice-ministro do Exterior russo, Yuri Fedotov, numa entrevista coletiva em Pequim, depois de dois dias de conversações com diplomatas chineses.

Num comunicado conjunto, os dois países afirmaram que a guerra no Iraque “terá um impacto negativo sobre a estabilidade e desenvolvimento econômico da região, e do mundo”.

Pequim e Moscou defenderam que o Conselho de Segurança da ONU deveria discutir uma nova resolução “em vista das mudanças na situação” no Iraque e em particular devido aos “graves problemas humanitários” surgidos nas últimas semanas.