França redobra esforços diplomáticos para salvar reféns

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Publicado terça-feira, 31 de agosto de 2004 as 09:19, por: cdb

A França redobrou seus esforços diplomáticos nesta terça-feira para salvar dois repórteres que foram sequestrados no Iraque, antes de um novo prazo final dado por militantes para revogar a lei que proíbe o uso de véus muçulmanos em escolas. O grupo islâmico Hamas pediu a libertação dos franceses.

O presidente Jacques Chirac viajou para a Rússia para conversas com seus aliados contrários à guerra no Iraque, o presidente russo, Vladimir Putin, e o chanceler alemão, Gerhard Schroeder.

– Renovo meu pedido solene pela libertação deles. Tudo será feito para garantir a libertação deles-afirmou Chirac em Sochi. 

O ministro das Relações Exteriores francês, Michel Barnier, está na Jordânia, vizinha do Iraque.
Já o ministro das Comunicações, Renaud Donnedieu de Vabres, disse que a França não entende por que seus cidadãos foram sequestrados, sendo que Paris manteve uma oposição firme à guerra liderada pelos Estados Unidos no Iraque.

– O governo é como o povo francês – estamos mobilizados, estamos unidos, estamos preocupados. Até que nossos reféns sejam libertados estaremos preocupados, muito preocupados – disse ele ao canal de televisão LCI em Paris.

Em Gaza, um porta-voz do Hamas afirmou que os jornalistas deveriam ser libertados devido à posição francesa sobre o Iraque. Ela disse também que a libertação aumentaria o isolamento de Israel e dos Estados Unidos.

 -Os dois jornalistas são inocentes e a França tomou uma posição positiva em apoio à causa iraquiana, já que rejeitou a participação na guerra contra o Iraque e também porque a França tem uma posição de entendimento em relação à causa palestina – observou Sami Abu Zuhri.

Mesmo os críticos à proibição do véu, incluindo muçulmanos franceses, condenaram os sequestros, insistindo que o assunto é puramente doméstico. “Esperança e mobilização”, foi a manchete do jornal Le Figaro depois que 3.000 pessoas, incluindo políticos importantes, líderes religiosos e jornalistas protestaram em Paris nesta segunda-feira.

O tema do véu é delicado na França, que tenta usar seu código legal estritamente secular para acabar com ataques anti-semitas e evitar disputas religiosas no país, que tem as maiores comunidades de muçulmanos e judeus da Europa. 

A televisão árabe mostrou na noite de segunda-feira um vídeo dos dois jornalistas franceses, Christian Chesnot e Georges Malbrunot, apelando por protestos contra a proibição do véu — a medida passará a valer nas escolas francesas na quinta-feira.

– Peço para o presidente Chirac…revogar a proibição do véu imediatamente e para o povo francês protestar contra a proibição do véu. É uma lei errada e injusta e podemos morrer a qualquer momento – disse Chesnot, de acordo com a tradução da Al Jazeera.

Chesnot e Malbrunot pareciam estar calmos no vídeo.

– Apelo para o povo francês e para cada cidadão francês que valoriza a vida fazerem protestos para que esta lei de proibição do véu seja cancelada, porque nossa vida está em perigo e podemos morrer a qualquer momento se a lei não for derrubada – afirmou Malbrunot.

Os sequestradores deram à França mais 24 horas para cancelar a proibição. Eles não disseram o que acontecerá aos dois homens se a lei for mantida, mas o grupo, chamado Exército Islâmico no Iraque, assumiu a responsabilidade pela morte de um jornalista italiano na semana passada.
Líderes franceses prometeram não ceder às exigências dos sequestradores.

Grupos iraquianos sunitas e xiitas, além de grupos islâmicos fora do Iraque, exortaram os sequestradores a libertarem os dois homens, lembrando a oposição da França à guerra e dizendo que os jornalistas não são combatentes.