França não sabia de negociações com a Líbia

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Publicado segunda-feira, 22 de dezembro de 2003 as 08:38, por: cdb

O ministro francês de Assuntos Exteriores, Dominique de Villepin, desmentiu nesta segunda-feira, que Paris soubesse através dos EUA e do Reino Unido das negociações que permitiram que a Líbia renunciasse ao desenvolvimento de armas de destruição em massa, como assegurou a ministra da Defesa, Michele Alliot-Marie.

A França “não foi informada” das negociações levadas “em segredo”, explicou Villepin à emissora France Inter.

Acrescentou que sobre a Líbia é preciso distinguir entre “a cooperação extremamente ativa e fértil entre França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países sobre as ameaças em matéria de terrorismo e proliferação” de armas e as negociações de Washington e Londres sobre as armas de destruição em massa que “aconteceram em grande segredo”.

Alliot-Marie declarou ontem que a França tinha sido posta a par das negociações mantidas durante “nove meses de diplomacia discreta” pelos EUA e o Reino Unido.

– É um êxito diplomático para o mundo –  disse a ministra da Defesa em entrevista televisiva.

Sobre as negociações que Trípoli mantém para indenizar os familiares das vítimas do atentado contra um avião da companhia francesa UTA em 1989, Villepin disse que existiam “boas esperanças” de que se completem “nas próximas semanas”.

Em relação a este atentado, que deixou 170 mortos de 17 nacionalidades, 54 deles franceses, Alliot-Marie disse que “houve uma primeira negociação e estamos na reabertura, o que torna as coisas mais complicadas”.

Segundo as famílias das vítimas francesas, as últimas negociações “foram construtivas”, por isso esperam que possam estar fechadas “bastante rapidamente”.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal “Le Figaro”, Villepin reitera que a renúncia da Líbia a fabricar armas de destruição em massa é “um sucesso tanto para a diplomacia americana e britânica como para a comunidade internacional”.

O chefe da diplomacia francesa compara essas negociações com os líbios às que mantiveram franceses, britânicos e alemães com os iranianos para evitar a proliferação desses armamento.

“A comunidade internacional deve estar animada pelo espírito de unidade e não de rivalidade”, ressalta Villepin, que espera que a diplomacia se ative também para “encontrar uma solução para o Oriente Médio, onde é importante retomar a iniciativa”.

Acrescentou que “é necessário buscar soluções dentro do princípio da justiça e evitar (que existam) dois pesos, duas medidas” nos conflitos internacionais.