França e Grã-Bretanha concordam com a participação da ONU no Iraque

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 9 de abril de 2003 as 08:47, por: cdb

Os ministros das Relações Exteriores da França e da Grã-Bretanha anunciaram nesta quarta-feira, depois de um encontro em Paris, que seus governos concordam sobre a importância de um papel para a Organização das Nações Unidas na reconstrução do Iraque, mas não divulgaram detalhes sobre quais seriam as atribuições da instituição internacional.

Em entrevista conjunta, o secretário britânico Jack Straw disse que a coalizão, liderada pelos Estados Unidos, quer um governo democrático no Iraque, mas as forças militares terão que permanecer no país por algum tempo a fim de garantir a segurança e a estabilidade.

O chanceler francês Dominique de Villepin concordou com a premissa de Straw, mas reiterou que a ONU precisa ter um “papel central” na reconstrução iraquiana.

“Eu penso que nós estamos de acordo quanto à necessidade de as Nações Unidas terem um lugar de destaque nesse processo”, acrescentou De Villepin.

Jornalistas perguntaram a Straw se via uma diferença entre um papel “central” e um desempenho “vital” da ONU – esta última uma definição apoiada, na véspera, pelo presidente norte-americano George W. Bush e o premier britânico Tony Blair, durante um encontro de cúpula na Irlanda do Norte.

“Eu acho que é mais ou menos a mesma coisa”, respondeu o secretário.

De Villepin e Straw não deram detalhes sobre quando ou se as forças da coalizão dariam um importante papel para a ONU no Iraque.

O encontro ocorreu depois de um período de estremecimento nas relações franco-britânicas, nos meses que precederam o início da guerra, com a França liderando a oposição à intervenção armada.

Straw e De Villepin disseram que os laços históricos entre a Grã-Bretanha e a França são mais fortes do que as divergências recentes.

“A vida seria muito tediosa se os amigos concordassem sempre com tudo”, disse Straw. “Nós temos uma relação madura”.

Na próxima sexta-feira, o presidente francês, Jacques Chirac, viajará a São Petersburgo, na Rússia, para discutir com o presidente Vladimir Putin o futuro do Iraque.

“Nós não estamos mais na era em que um ou dois países podem assumir o destino de outro país”, declarou Chirac, na terça-feira, ao defender um papel central para a ONU.