França é contra nova resolução da ONU

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Publicado segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003 as 11:41, por: cdb

Ministro das Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin disse que seu país não vê necessidade para uma nova resolução da ONU (Organização das Nações Unidas), enquanto as inspeções de armas estiverem em andamento no Iraque.

Os Estados Unidos e seus aliados britânicos estão preparando uma nova investida diplomática para angariar votos suficientes para aprovar uma proposta de resolução que deve ser apresentada nesta semana.

Villepin disse que a posição da França não significa que o país esteja sendo leniente com o Iraque e exigiu que o governo de Bagdá obedeça as ordens da ONU de destruir os mísseis al-Samoud II.

Representantes iraquianos disseram estar estudando a exigência de destruição dos foguetes, que segundo os inspetores da ONU, têm um alcance maior do que o permitido no Iraque.

Gota d´água

A destruição desses mísseis vem sendo vista como uma prova de fogo para a cooperação do Iraque com a ONU.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que a decisão iraquiana sobre destruir ou não os mísseis al-Samoud II pode ser a gota d’água da crise.

“Se eles se recusarem a destruir essas armas, o Conselho de Segurança terá de tomar uma decisão”, disse Annan.

“Eu não entendo porque eles não os destruiriam”, completou.

Em uma carta enviada ao iraquianos na sexta-feira, o inspetor-chefe, Hans Blix, determinou o prazo para o início da destruição dos mísseis para o dia 1º de março.

China

O secretário de Estado americano, Colin Powell, está aproveitando a sua visita à China para conseguir apoio à proposta de resolução que deve ser apresentada ao Conselho de Segurança nos próximos dias.

Powell afirmou, no entanto, que não se sente dependente da decisão da China, que tem poder de vetar a resolução, sobre o caso.

O correspondente da BBC em Pequim disse que o tom empregado por Powell em seus encontros na China leva a crer que ele está confiante de que a China não lançará mão do veto, apesar de vir se opondo à ação militar no Iraque nos últimos meses.

Powell também aproveitou a viagem para dar mais uma advertência sobre o desarmamento do Iraque e insistir que a ONU assuma as suas responsabilidades.

“O único motivo para o Iraque ter feito qualquer coisa nos últimos quatro a seis meses foi a ameaça de uso de força e a unidade da comunidade internacional”, disse Powell.

Na Turquia, o ministro das Relações Exteriores disse que seu país decidirá em breve se as tropas americanas poderão ou não usar as bases militares da Turquia.

Nesta segunda-feira, o governo turco fará uma reunião de cúpula, e o Parlamento discutirá o assunto na terça-feira.

Jejum e preces

O papa João Paulo 2º pediu aos fiéis católicos em todo o mundo que dediquem, no mês que vem, um dia de jejum às preces pela paz.

Já o presidente sul-africano, Thabo Mbeki, disse que a paz e a estabilidade mundiais dependem da colaboração total do Iraque com a ONU e de todos os outros países respeitarem as conclusões dos inspetores de armas.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o vice-secretário de Defesa, Paul Wolfowitz, disse – em discurso para iraquianos-americanos – que um governo no Iraque pós-Saddam Hussein seria democrático e pacífico.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, criticou a Liga Árabe por não ter elaborado uma política comum sobre a crise no Iraque.

França

“Os inspetores confirmaram que houve progresso. Por isso que, neste contexto, nos opomos a uma nova resolução”, disse Villepin ao jornal francês Le Figaro.

O ministro da Defesa, Michele Aliot-Marie, acrescentou que todos os esforços deveriam ser centrados em garantir o prosseguimento do trabalho de inspeção.

“Se os inspetores nos disserem que não podem concluir seus trabalhos temos que considerar todas as soluções, e a França vai assumir suas responsabilidades como sempre fez”, disse o ministro francês.

A França, como um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, tem o poder de veto sobre qualquer no