França diz que o Iraque está se desarmando

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Publicado sexta-feira, 7 de março de 2003 as 16:03, por: cdb

O ministro do Exterior da França, Dominique de Villepin, disse no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que os inspetores Hans Blix e Mohammed El-Baradei tinham observado progresso substancial no Iraque e que havia evidências significativas de real desarmamento.

Segundo ele, o Iraque é hoje uma ameaça menor do que era em 1991.

Villepin indagou por que o mundo deveria se engajar em uma guerra no Iraque, e acrescentou que a guerra é sempre um reconhecimento de fracasso.

Na sua avaliação, ficou claro que o Iraque está se movendo na direção de eliminar armamentos banidos.

Rússia

Já o ministro do exterior da Rússia, Igor Ivanov, disse ao Conselho de Segurança que o seu país continua firmemente a favor da continuação e reforço das inspeções de armas no Iraque.

Para ele, deveria ser feita uma lista de tarefas essenciais ao desarmamento e que ainda estavam por ser feitas. A lista, segundo Ivanov, permitiria avaliar de forma objetiva o grau de cooperação do Iraque.

Ivanov observou que resolver a crise do Iraque de acordo com o estatuto da ONU teria enorme influência na resolução de outros conflitos. Por isso, disse ele, a Rússia estava tentando que a questão fosse resolvida segundo a lei internacional.

Para o ministro russo, o grau de cooperação do Iraque era muito diferente do que tinha acontecido em inspeções anteriores.

Segundo ele, o Iraque deve permitir que os inspetores de armas conduzam entrevistas com cientistas iraquianos sem supervisão e sem gravação. No entanto, ele argumentou que, pela primeira vez, em muitos anos, havia uma perspectiva real de desarmamento no Iraque.

Ivanov observou também que os passos positivos que o Iraque vinha adotando estavam abrindo caminho para solução de problemas remanescentes.

Alemanha

Para o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, o relatório apresentado pelos inspetores deixou claro que a cooperação do Iraque não cumpre todas as exigências. Mas ele notou que houve progresso de verdade.

Fischer pediu que as inspeções sejam aceleradas e que os inspetores estabeleçam um cronograma que especifique cada passo que deve ser tomado no proceso de desarmento do Iraque, como exigido pela ONU.

O ministro alemão acrescentou que o Conselho da ONU deve lembrar a destruição que seria provocada por uma guerra e que os riscos da opção militar são aparentes para todos.

Segundo Fischer, a guerra levaria a uma escalada do terrorismo, reduziria segurança e aprofundaria a crise no Oriente Médio.

Se o desarmamento fosse obtido por meios pacíficos, argumentou Fischer, cresceria a perspectiva de progresso na direção de medidas que facilitariam o processo de paz no Oriente Médio e a ONU se tornaria mais forte.

China

Para o ministro do Exterior da China, Tang Jiaxuan, foi feito progresso durante as inspeções de armas. Ele disse ao Conselho que a porta para a paz não deve ser fechada.

Tang observou que a China não está a favor de uma segunda resolução da ONU, especialmente uma que autorize o uso de força.

Ele também instou o Iraque a adotar medidas que criem as condições necessárias para a paz.

Síria

O ministro das Relações Exteriores da Síria, Farouq al-Shiraa, disse que Blix mostrou que o Iraque está cooperando tanto em forma como em conteúdo.

E acrescentou que, enquanto há progresso tão tangível, a necessidade de uma nova resolução da ONU autorizando o uso da força é questionável.

O ministro do Exterior do México, Luis Ernesto Derbez, conclamou os membros do Conselho de Segurança a buscar uma solução pacífica para a crise.

Derbez disse que a ONU deve dar legitimidade a qualquer ação adotada contra o Iraque e que era preciso encontrar consenso no Conselho de Segurança.