França admite que explosão em fábrica deve ter sido ato deliberado de terrorismo

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Publicado quinta-feira, 4 de outubro de 2001 as 14:20, por: cdb

Após quase duas semanas de investigações, o governo da França admitiu, pela primeira vez, que a explosão ocorrida em 21 de setembro em uma fábrica petroquímica em Tolouse, sudoeste do país, foi um atentado terrorista. A confirmação aconteceu depois que o jornal francês Le Figaro publicou, na edição desta quinta-feira, que a polícia havia encontrado no local da explosão o corpo de um militante islâmico. A tragédia deixou 29 mortos e centenas de feridos.

De acordo com autoridades francesas, o terrorista suicida seria Hassan Jandoubi, 35 anos. O corpo do rapaz, que nasceu em Tunes e se nacionalizou francês, estava envolto em várias capas de tecido, “ao estilo dos camicases fundamentalistas”. Sem explicar os motivos, a polícia admitiu que Jandoubi não estava incluído na lista de mortos.

O jornal publicou que o militante havia sido contratado para trabalhar na fábrica cinco dias antes da explosão. Sem se identificar, um investigador relevou que a polícia demorou cinco dias para conseguir autorização para entrar no apartamento de Jandoubi, o que atrapalhou a investigação. Quando a permissão foi concedida, o imóvel já estava limpo: não havia roupas nem objetos pessoais.

Acidente – No dia da explosão, o chefe da investigação, Michel Breard, disse que estava 99% seguro de que não se tratava de um atentado, mas sim de um acidente. Esta foi a primeira hipótese, já que a fábrica era classificada de “alto risco” pela Defesa Civil. Pertencente ao grupo TotalFinElf, um dos maiores conglomerados do país, a empresa tinha 500 funcionários. Em função da explosão, escolas, hospitais e prédios de várias companhias da região foram danificados.