FPLP ameaça com conflito interno em caso de prisão de liderança

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Publicado quarta-feira, 16 de janeiro de 2002 as 18:32, por: cdb

A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) advertiu a Autoridade Nacional Palestina que a prisão de seu líder, Ahmed Saadat, pode gerar um conflito dentro da comunidade palestina. Maher al-Tahir, porta-voz da FPLP, disse em um comunicado que “a Autoridade Palestina deve estar ciente de que o seu ato a colocará em choque com todas as facções palestinas e islâmicas, sem exceção”.

Segundo a FPLP, Sadaat foi preso na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, na terça-feira à noite. De acordo com o vice de Sadaat, Abdel Rahim Mallouh, o comandante da FPLP foi detido durante um encontro com uma liderança da própria Autoridade Nacional Palestina. Ahmed Sadaat encabeça a lista dos mais procurados por Israel, desde que a FPLP assumiu a autoria do atentado contra o ministro de Turismo israelense, Rehavam Zeevi, assassinado em outubro do ano passado.

A Frente Popular para a Libertação da Palestina classificou ainda a prisão como sendo “um desenvolvimento perigoso”. “Esta é uma ação política, que tem conseqüências políticas muito perigosas”, afirmou o vice de Ahmed Saadat, Abdel Rahim Mallouh. “Nós consideramos esse um sinal de que eles (a ANP) aceitaram todas as pressões americanas e todas as exigências de Israel”.

O governo de Israel recebeu com ceticismo a notícia da prisão do ativista palestino.”Não acreditarei até que eu o veja atrás das grades. Já nos decepcionamos várias vezes e estamos fartos de ouvir anúncios de que eles prenderam alguém”, disse Raanan Gissin, um conselheiro do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon. Nas últimas seis semanas, o Exército de Israel havia proibido o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, de deixar Ramallah até que Saadat fosse preso e os assassinos do ministro entregues à Justiça israelense.

A notícia da prisão de Saadat se segue ao assassinato de dois israelenses na última terça-feira. Eles foram mortos quando atiradores dispararam contra seus veículos em incidentes isolados na Cisjordânia. Uma mulher israelense foi morta e um passageiro ferido perto do assentamento judaico de Givat Zeev. Algumas horas antes, o corpo de Avi Boaz, um israelense de 72 anos, foi retirado de um carro cravado de balas na cidade palestina de Beit Sahour, perto de Belém.

Três israelenses já foram mortos desde a morte de Al-Karmi. Os ataques de terça-feira e o assassinato de um soldado na segunda-feira aconteceram após a morte de Raed al-Karmi, o líder do braço armado da organização Fatah, de Yasser Arafat.

Milhares de palestinos compareceram ao enterro de Al-Karmi na terça-feira e pediram vingança contra Israel, a quem eles responsabilizavam pela morte do líder. O ministro da Defesa israelense, Binyamin Ben Eliezer, disse que Al-Karmi foi morto em “um acidente de trabalho”, sugerindo que a explosão de seu carro foi causada por uma bomba que ele próprio estaria preparando.

Devido à nova onda de violência na região, o retorno do enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio, Anthony Zinni – planejado para acontecer esta semana – foi adiado.