Fórum revela que estado do Rio só utiliza parte da tecnologia para o combate ao crime

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado terça-feira, 29 de maio de 2007 as 15:51, por: cdb

Um aparelho que permite a identificação da arma da qual foram disparados projéteis de armas de fogo – chamado Íbis – uma tecnologia que faz a auto-certificação dos documentos de identidade e para o qual não há legislação que regule seu uso ou bloqueadores de celulares que só afetam parte das operadoras. Estes são exemplos de tecnologias disponíveis no estado do Rio de Janeiro para o combate ao crime, mas que não funcionam a contento e que foram abordadas no Fórum Seprorj de Segurança Pública e Tecnologia, realizado nesta segunda-feira.

O presidente do Seprorj- Sindicato das Empresas de Informática-  Benito Paret reafirmou a importância da tecnologia, mas ressaltou que ela faz parte de um conjunto.
 
– A tecnologia é parte da engrenagem. Os desafios que a segurança pública impõe são enormes. Esse fórum é uma colaboração para chegarmos a soluções adequadas -, disse.
 
O superintendente de telecomunicação e informática da Secretaria de Estado de Segurança Pública Marcelo Maia reconheceu as dificuldades na aplicação da tecnologia e afirmou que são inúmeras soluções espalhadas no âmbito da secretaria e que falta melhor utilização. Ele disse que a integração dos bancos de dados das polícias civil, estadual e federal já está sendo feito. Outro destaque foi o plano de segurança para o Pan Americano que vai monitorar cerca de 2.500 eventos por dia.
 
O deputado estadual Alexandre Molon, membro da Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa, destacou a necessidade de recursos humanos especializados e cobrou respostas em itens relacionados à segurança, entre elas à restrita utilização do IBIS como ferramenta facilitadora das investigações policiais por análise de padrões.
 
– O governo gastou aproximadamente U$$1 milhão na compra do equipamento que só é usado de 4 a 5 horas por dia por falta de equipe especializada. Não basta investir em tecnologia se não tem gente qualificada. Quanto mais investimento em inteligência, menos truculência -, afirma Molon.
 
O especialista em soluções de segurança Horácio Soares destacou a complexidade da questão da segurança.
 
– Atualmente a TI está no poder, conduzindo e mudando hábitos, ao invés de ser conduzida pelo homem para solucionar um problema. Vivemos na sociedade das ferramentas e não do conhecimento. Valorizamos mais o diploma do que a educação; a arma do que a segurança; o computador do que o conhecimento. O acesso à tecnologia é fácil, basta ter dinheiro. Na TI há solução para tudo, o grande desafio é conhecer o problema e escolher a melhor solução para ele -, disse Horácio.
 
Um exemplo de tecnologia disponível e não utilizada, é o sistema de identificação de carteiras de identidade off-line, que permite a comprovação de sua autenticidade, desde que haja o equipamento para a leitura do código de barras que está impresso nos documentos de identidade tirados a partir de 2002.
 
Molon criticou o governo passado, pela escassez de recursos para área de inteligência.

 – Em 2005, dos 3,6 bilhões de reais destinados no orçamento, 70 mil foram gastos em inteligência e informação. Em 2006, dos 4,2 bilhões de reais, nada foi destinado a este fim -, criticou.
 
Afirmou, no entanto, que confia que o governo Sérgio Cabral vá alterar este quadro.  Já Marcelo Maia assegurou que há uma decisão política de que seja qual for o montante destinado à segurança, 30% estarão reservados para investimentos em inteligência.