Fórum Pan-Amazônico fortalece integração de comunidades

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Publicado segunda-feira, 24 de janeiro de 2005 as 11:53, por: cdb

 O 4º Fórum Social Pan-Amazônico, que se encerrou neste sábado em Manaus, talvez tenha sido o mais “brasileiro” de todas as edições – apesar de representados, Venezuela, Peru, Colômbia, Equador, Bolívia, Suriname e Guiana Francesa enviaram delegações bastante reduzidas -, mas teve o grande mérito de se concretizar como o mais importante espaço de debates e articulações dos movimentos sociais e das populações tradicionais da Amazônia brasileira.

Reservado para as articulações setoriais e o encaminhamento de propostas de cada segmento presente, como mulheres, trabalhadores rurais (ribeirinhos, pescadores, indígenas, extrativistas etc.), trabalhadores urbanos e ambientalistas, entre outros, o último dia do FSPA também definiu, em reunião do seu Conselho Internacional (CI), os rumos do processo para os próximos dois anos.

Segundo Adilson Vieira, secretário-geral do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA) e membro do CI-FSPA, um dos indícios mais fortes do crescimento do interesse dos movimentos sociais amazônicos pelo FSPA foi a apresentação inédita de quatro candidaturas à sede da edição do Fórum em 2006 – as cidades de Rio Branco, no Acre, e Santarém, Abaetetuba e Paraopebas, no Pará (as edições anteriores, que aconteceram em Belém (2002 e 2003) e Venezuela (2004), não tiveram ‘disputas’).

Postergando a decisão final sobre o destino do próximo FSPA para março, quando se reunirão novamente, as organizações do CI estabeleceram os critérios que devem ser considerados para a apresentação dos projetos de viabilidade do evento pelas atuais ou outras candidatas. Neste sentido, devem pesar a realidade social, econômica ou ambiental da região, a organização dos movimentos sociais locais, a disponibilidade de infra-estrutura para realização das atividades e de alojamento para os participantes do encontro, as facilidades de acesso e a capacidade de levantamento dos recursos financeiros.

Por outro lado, a capital da Guiana Francesa, Cayena, já foi definida como anfitriã do FSPA 2007. “Desde a primeira edição, o FSPA levantou a bandeira inédita da defesa da independência da Guiana, que continua uma colônia ou departamento além-mar da França. Como a Guiana é, teoricamente, parte da União Européia (EU), precisamos de mais tempo para preparar o terreno político na Europa, no sentido de familiarizar os deputados de esquerda da EU com a idéia de uma Guiana livre e articular com eles o apoio necessário a essa luta e ao próprio evento”, explica Luis Arnaldo Campos, ex-secretário de relações internacionais da prefeitura de Belém e membro o CI.

Por fim, o CI também decidiu a mudança da data dos FSPA, que, desde a sua primeira edição, ocorreu em janeiro, um pouco antes do Fórum Social Mundial (FSM, do qual o FSPA é um encontro regional). Segundo Vieira, “janeiro é o mês do inverno amazonense, chove muito e muitos países têm dificuldade em mandar representantes porque é uma época de intensa atividade. Também perdemos participantes que, por conta dos custos financeiros, acabam optando pela participação no FSM em detrimento do FSPA. Financeiramente, aliás, também concorremos com o Fórum Social Mundial, ou seja, as organizações que podem ajudar geralmente alocam seu recursos para o encontro mundial. Por isso, o CI decidiu passar o FSPA para julho. A edição de 2006 já deve ocorrer em julho, quando é verão aqui”.

Fome de organização

A Amazônia Continental, ou, para restringir um pouco este universo, a Amazônia brasileira, é uma das regiões mais complexas da América do Sul por conta de sua multiplicidade étnica e cultural, pela amplitude territorial e pela precariedade de infra-estrutura de inter-comunicação (estradas, acesso aos meios de informação e comunicação, etc).

As distâncias que separam as regiões e populações da floresta são um dos principais obstáculos a uma organização mais ampla dos vários segmentos e movimentos amazônicos em um evento como o FSPA, o que por vezes impos