Fórmula 1 poderá ter sistema de handicap para frear Schumacher

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Publicado segunda-feira, 7 de outubro de 2002 as 23:45, por: cdb

A sucessão de vitórias da Ferrari, especialmente do alemão Michael Schumacher, na Fórmula 1, poderá levar às pistas um polêmico sistema de handicap elaborado por Bernie Ecclestone e Max Mosley, os dois mais poderosos homens dos bastidores do esporte.

A intenção do sistema seria proteger as corridas da supremacia da equipe italiana e de seu veloz piloto alemão, companheiro do brasileiro Rubens Barrichello.

O assunto será debatido no próximo dia 28, pela Comissão da Fórmula 1 e poderia levar os carros da Ferrari a carregar um lastro, caso comece mais uma série de vitórias na próxima temporada.

Depois do que aconteceu com a Ferrari este ano, temos que fazer algo para manter os patrocinadores e o público felizes”, argumentou Ecclestone ao jornal The Times, em entrevista publicada nesta segunda-feira.

Segundo Ecclesteone, se Schumacher vencer as duas ou três primeiras corridas no ano que vem, a Fórmula 1 terá que estar preparada para fazer algo para proteger o esporte.

Nesta temporada, somente duas corridas foram vencidas por pilotos que não são da Ferrari. Quase imbatível, a equipe italiana é franca favorita para vencer o Grande Prêmio do Japão, no próximo domingo, o último do campeonato.

Das 33 últimas corridas que disputou, Schumacher venceu 19. Este ano, conquistou o pentacampeonato mundial. Se vencer domingo, estabelecerá um novo recorde de 11 vitórias numa só temporada.

Com um orçamento estimado em 375 milhões de dólares, a Ferrari tem muito mais verba do que a pequena Minardi, equipe mais pobre do campeonato, que só pode gastar 45 milhões de dólares por temporada.

A mais radical das propostas seria acrescentar um lastro no carro do líder da próxima temporada, caso este consiga uma larga vantagem logo nas primeiras corridas.

“Se Schumacher está 20 pontos à frente de Rubens Barrichello, então ele tem que correr com um carro 20 quilos mais pesado”, disse Ecclestone ao jornal alemão Bild am Sonntag.

Cada quilo de peso diminuiria a velocidade de um carro em 0,3 segundos por volta, uma grande diferença na Fórmula 1, em que as voltas são cronometradas em frações de segundos.

Outras propostas são reduzir os testes anuais; limitar as mudanças na aerodinâmica dos carros durante a temporada; limitar os motores a um por corrida; realizar treinos classificatórios às sextas e aos sábados, em vez de apenas aos sábados.

Ecclestone e Mosley sabem que vão ter a oposição de grandes equipes, como a própria Ferrari, a Williams e a McLaren.

Seu argumento é que as audiências de televisão das corridas estão caindo e que as mudanças são necessárias.

“Os custos subiram e os rendimentos caíram e agora as emissoras de televisão querem pagar menos porque sua audiência também caiu”, explicou Mosley a The Times.