Forças da ONU na fronteira do Kuwait se preparam para ataque ao Iraque

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Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 16:51, por: cdb

O último obstáculo internacional entre os Estados Unidos e a guerra contra o Iraque não é apenas uma votação no Conselho de Segurança, mas sim esta faixa desértica patrulhada por 1,3 mil soldados e civis, 11 deles americanos.

A zona – com profundas trincheiras, marcada com estradas de areia e fechada em cada um dos seus lados por cercas elétricas – foi criada depois da Guerra do Golfo Pérsico há 12 anos como uma forma de impedir novas agressões iraquianas ao Kuwait.

Agora os observadores militares que trabalham sob a bandeira azul da ONU estão se fortalecendo para um ataque do outro lado.

Enquanto forças americanas e britânicas se reúnem ao sul, os observadores da Missão Iraque-Kuwait da ONU nas últimas semanas registraram diversas violações da zona. A maioria foi por helicópteros e aviões de patrulha americanos e o que pareceu ser missões de patrulha dos Marines dos EUA em veículos civis e blindados.

Há cinco dias um empreiteiro civil da África do Sul fez sete buracos na cerca do lado kuwaitiano – dois a oeste e cinco a leste do pequeno posto fronteiriço em Abdaly.

Quando interrogado, ele disse a oficiais que o Ministério do Interior do Kuwait o tinha contratado para fazer 35 buracos até 15 de março, dois dias antes de um prazo proposto para o Iraque cumprir completamente com as resoluções da ONU proibindo sua posse de armas nucleares, químicas e biológicas.

A cerca pertence ao Kuwait, e fazer buracos nela não viola tecnicamente a zona desmilitarizada, mas com cada buraco amplo o suficiente para dois tanques americanos M1-A1 lado a lado, a importância dessa e de outras violações é óbvia.

“Não somos estúpidos”, disse o major Sandor Galavics, um oficial austríaco, na segunda-feira.

A zona desmilitarizada – ocupando cinco quilômetros do lado kuwaitiano e 10 do lado iraquiano – se 200 quilômetros desde a fronteira saudita ao único porto do Iraque em Umm Qasr e por outros 45 quilômetros para Khawr Abd Allah, uma entrada do Golfo Pérsico.

A zona é em grande parte plana e desolada, embora milhares de iraquianos vivam dentro dela, assim como agricultores e pastores do lado kuwaitiano. O lado iraquiano ainda é coberto de minas terrestres, bem como por cemitérios e outros detritos da última guerra.

Militarmente a zona será mais do que um quebra-molas. Um oficial do exército americano disse que escavadeiras gigantescas que já estão posicionadas simplesmente abririam caminho e fechariam as trincheiras para as forças em avanço.

Diplomaticamente, entretanto, a questão pode ser outra.

Se as forças terrestres lideradas pelos EUA avançarem em massa em seu caminho para o Iraque, especialmente sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos e seus aliados estarão violando a Resolução 687 do Conselho de Segurança.

A resolução criou a missão de observação em abril de 1991 com a finalidade de impedir incursões e “observar qualquer ação hostil realizada do território de um Estado para outro”.