Forças americanas confrontam rebeldes afegãos

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Publicado terça-feira, 28 de janeiro de 2003 as 16:49, por: cdb

No mais duro combate em nove meses, forças americanas e aliadas estão enfrentando um grande grupo de combatentes rebeldes em uma região montanhosa no sudeste do Afeganistão.

O coronel Roger King, porta-voz do exército americano, disse que pelo menos 18 rebeldes foram mortos, e não houve relatos de mortes de nenhum aliado.

O combate começou na última segunda-feira enquanto forças americanas e afegãs vasculhavam um composto perto da montanha Adi Ghar. Eles foram atingidos e, no combate, um agressor foi morto, um ferido e um detido.

No interrogatório, o homem detido disse que existem cerca de 80 soldados comandados por Gulbuddin Helmatyar nas montanhas próximas ao composto.

King disse que helicópteros Apache, usados na investigação, foram atacados por pequenas armas. Uma rápida força de reação da 82º Divisão Airborne respondeu ao ataque com apoio aéreo de aviões de bombardeio B-1, F-16s e AC-130s.

O coronel disse ainda em uma coletiva de imprensa diária que os AC-130s e os helicópteros Apaches se juntaram à força de resposta e os aviões de bombardeio B-1 despejaram duas bombas de 226 quilos e 19 bombas de 907 quilos na área, durante 12 horas de confronto.

Os soldados rebeldes, apesar de serem leais a Hekmatyar, têm simpatias e possíveis relações com o Taleban e a Al-Qaeda, afirmou o coronel. O grupo rebelde deve ser composto por afegãos que se opõem à presença militar americana no país e são contra o governo do presidente Hamid Karzai.

Nos últimos meses, têm surgido persistentes relatos de que membros da Al-Qaeda e do Taleban, junto com Hekmatyar, teriam planejado novos ataques contra as forças afegãs e americanas. Oficiais da ONU disseram que, nos últimos meses, os rebeldes têm cruzado a fronteira de áreas tribais do Paquistão e oficiais de segurança afegãos alertaram sobre a iminência de novos ataques.

Os rebeldes continuaram a lançar ataques em pequena-escala e disparar mísseis contra bases e tropas americanas, mas o exército enfatizou que as forças inimigas não parecem capazes de operações em larga-escala.

Os mísseis disparados por eles raramente atingem seus alvos, e ataques de granadas e bombas plantadas geralmente contêm uma pequena quantidade de explosivos.

O recente combate é o mais duro desde a batalha ocorrida durante a Operação Anaconda, em março do ano passado, quando cerca de 2 mil tropas americanas foram enviadas para o leste do Afeganistão. Sete soldados americanos foram mortos e dois helicópteros foram derrubados neste confronto.

“Essa é a maior concentração de forças inimigas desde a Operação Anaconda”, afirmou o coronel. Alguns dos rebeldes se esconderam nas cavernas, disse, uma tática que os combatentes do Taleban e da Al-Qaeda usaram nas batalhas do ano passado.

O forte bombardeio americano finalmente os desabrigou, mas os afegãos nas áreas de fronteira ao leste do país sobreviveram ao fogo pesado e conseguiram fugir para o Paquistão, onde encontraram refúgio entre as tribos locais, que são simpatizantes à sua causa.