‘Fome não leva nenhum povo à revolução, mas à submissao’

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Publicado sexta-feira, 24 de outubro de 2003 as 10:51, por: cdb

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta sexta-feira, em Oviedo, maior participação dos líderes mundiais no combate à fome e à pobreza. Em discurso durante visita ao parlamento do Principado de Astúrias, no norte da Espanha, o presidente disse que os “famintos” são hoje um problema social, mas que a fome deve se transformar em uma questão política. “Apenas quando a fome se transforma em um problema político nós prestamos atenção”, ressaltou.

Lula discursou para deputados e senadores do norte da Espanha e disse que chegou a pensar, no início de sua luta sindical, que a fome era uma espécie de “castigo” bem aplicado para povos que nao se empenhavam em lutar para sobreviver. Agora – garantiu – esse conceito se inverteu completamente. “Depois descobri que a fome não leva nenhum povo à revolução, mas à submissao”, enfatizou.

O presidente admitu que a luta contra a fome nao é fácil, especialmente no Brasil. Mas disse que assumiu essa responsabilidade e, por isso, o prêmio Príncipe de Astúrias que vai receber nesta noite pertence a todos os brasileiros que lhe elegeram presidente. “Pensei: o que fazer com um prêmio desses? Depositar na minha conta e no dia seguinte ninguém mais lembar do premiado? Por isso tomei a decisão de doá-lo e entreguei ao secretário-geral da ONU o cheque”, disse o presidente, reiterando que o seu gesto deve ser seguido por outros governantes. “Eles assumem compromisos com as metas do milênio e depois não sabem mais de nada”, criticou.

O prêmio, no valor de US$ 55 mil, foi doado por Lula em setembro deste ano durante visita à Assembléia Geral das Nações Unidas.

Na avaliacao do presidente brasileiro, o século XXI deve ser dedicado ao combate das desigualdades sociais. “É um desafio humanista, cristão, que todos devemos assumir. No Brasil fazemos isso”, afirmou.

Lula recebeu de presente da presidente do Parlamento de Astúrias, María Jesús Alvarez González, um crucifixo com o símbolo do prêmio espanhol. A visita do presidente brasileiro ao parlamento foi um pedido pessoal do príncipe de Astúrias, Felipe de Borbón, que atrasou a foto oficial com os outros chefes de Estado em uma hora para que o presidente brasileiro pudesse visitar os parlamentares.