FMI diz que benefícios não compensam Mercosul

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Publicado sexta-feira, 31 de janeiro de 2003 as 21:56, por: cdb

Um diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional) afirmou nesta sexta-feira que os benefícios do Mercosul (Mercado Comum do Sul) não compensam os custos do bloco econômico.

O chefe do departamento de América Latina, Anoop Singh, disse ainda que as disparidades comerciais na região vão dificultar ainda mais a recuperação de países como Argentina, Uruguai e Brasil.

As declarações foram dadas durante uma reunião sobre os prós e contras da globalização, em Washington, segundo a agência de notícias Reuters.

“Certamente, hoje existe cada vez mais um consenso de que os custos do Mercosul hoje simplesmente pesam mais que os seus benefícios e que ele provavelmente limitou o ajuste das economias do bloco econômico às crises econômicas”, disse Singh.

Enfraquecimento

Sustentado, principalmente pelo Brasil e pela Argentina, o Mercosul também tem a participação do Uruguai e do Paraguai. Chile e Bolívia são membros associados do bloco.

No entanto, a instabilidade política na região e as insistentes crises econômicas na Argentina, no Brasil e no Uruguai enfraqueceram o grupo.

Depois de anos de discussões sobre a adoção de uma moeda única e sobre a coordenação de políticas dentro do Mercosul, poucas medidas concretas foram adotadas.

Singh afirmou ainda que o comércio na América Latina representa uma proporção menor da atividade econômica do que em outras economias emergentes.

A falta de abertura comercial aliada à uma abertura ao fluxo de capitais do mercado internacional teria criado, na opinião de Singh, um desequilíbrio econômico na América Latina.

“As implicações para a política econômica desse desequilíbrio são bastante graves”, disse Singh. “Certamente, em comparação com a Ásia, é muito mais difícil para a América Latina gerar o tipo de superávit comercial necessário para combater a desvalorização das suas moedas.”

Há apenas duas semanas, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o seu colega argentino, Eduardo Duhalde, prometeram reconstruir o Mercosul e reforçar os laços políticos, sociais e econômicos dos dois países.

Ambos pretendem trabalhar pela criação de um Parlamento regional, além de uma moeda única.