Flávio Damm faz exposição no Rio de Janeiro

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Publicado segunda-feira, 17 de dezembro de 2001 as 03:11, por: cdb

A exposição “Flávio Damm e suas Provas de Trabalho” está sendo realizada no Espaço Cultural dos Correios. O trabalho vai ficar exposto até o dia 6 de janeiro de 2002.
Uma curiosidade da amostra é que as fotos são reduzidas propositalmente para que as pessoas se aproximem ao máximos para analisá-las por mais tempo. Este tipo de trabalho, porém, não foi inventado por Flávio Damm, mas inspirado numa exposição de Rembrandt em Madri, Espanha. Flávio preservou as margens de todas as fotos, como prova de que não sofreu qualquer alteração e que foram reveladas tal qual os negativos.

CORREIO DO BRASIL: Quantos anos o senhor tem e onde nasceu?
Flávio Damm: 73 anos e nasci em Porto Alegre, nem tudo é perfeito.

CORREIO DO BRASIL: Mas como surgiu o interesse pela fotografia?
Flávio Damm: Quando eu era pequeno ficava imaginando como eram feitas as fotos das guerras. Não acreditava que soldados ficassem com armas e máquinas fotográficas. Daí resolvi perguntar para meu pai como eram feitas essas fotos e ele me explicou. Desde então comecei a registrar tudo.

CORREIO DO BRASIL: Seus pais te deram incentivo?
Flávio Damm: Eles nunca dificultaram, mas também não incentivaram.

CORREIO DO BRASIL: Qual o ano que o senhor começou a carreira?
Flávio Damm: Em 1946, na revista “O Cruzeiro”. Eles estavam precisando de jovens para tirar fotos e eu fui para lá, mas eu tirava foto e escrevia as matérias. Naquela época, muitos jovens morreram registrando as imagens da 2ª Guerra . Eles sabiam que, com sorte, uma foto poderia ser muito bem paga, mas não tinham experiência e morriam em meio ao fogo cruzado.

CORREIO DO BRASIL: Mas o senhor é jornalista?
Flávio Damm: Sim, sou jornalista por “acidente” e fotógrafo de coração.

CORREIO DO BRASIL: Qual o tipo de equipamento e recurso que o senhor usa?
Flávio Damm: Nikon-35mm e o filme é Kodak, asa 400, mas opero com asa 800 na máquina.

CORREIO DO BRASIL: Alguma foto recebeu algum tipo de tratamento?
Flávio Damm: Não, todas as fotos estão da mesma forma de como foram tiradas. A prova disso está nas margens, uma marca internacional de que a foto é genuína.

CORREIO DO BRASIL: Qual a quantidade de fotos batidas para se aproveitar uma?
Flávio Damm: Depende do trabalho, mas geralmente se aproveita uma foto por filme. Mas pode acontecer de não se usar nenhuma foto do filme. Mas não jogo nada fora, tenho um arquivo em casa, pois pode aparecer um trabalho que eu já tenha a foto.

Pablo: Até quando esta exposição ficará no Espaço Cultural dos Correios ?
Flávio Damm: Até 6 de janeiro de 2002.

CORREIO DO BRASIL: O senhor pretende levar essa exposição para outras cidades?
Flávio Damm: Por enquanto ainda não tenho proposta, mas essa já é a minha nona exposição esse ano. E tenho uma exposição sendo realizada no nordeste e uma que está no interior do estado do RJ.

CORREIO DO BRASIL: O senhor acha que falta incentivo do governo para esse tipo de exposição?
Flávio Damm: Sim, falta muito incentivo. Mas agora temos um espaço bom no Palácio da Justiça, onde estou pensando colocar uma exposição.

CORREIO DO BRASIL: O brasileiro é carente desse tipo de trabalho?
Flávio Damm: Sim, muito carente.

CORREIO DO BRASIL: O senhor acha que falta revista sobre fotografia no mercado?
Flávio Damm: Acho sim, mas não acredito que daria certo como as revistas estrangeiras. Seria uma revista muito segmentada e não sei se conseguiria anunciante suficiente para manter essa revista.

CORREIO DO BRASIL: Quantos países estão presentes na exposição?
Flávio Damm: Nove: Brasil, França, Portugal, Itália, EUA, Guatemala, Argentina, Espanha e Marrocos. Mas o principal foco da exposição das fotos não é o geográfico, ou seja, não são sobre os lugares aonde estive – como fazem alguns expositores.

CORREIO DO BRASIL: Qual o país que o senhor mais gostou de fotografar?
Flávio Damm: Gostei de todos, mas a Espanha é um lugar muito.

CORREIO DO BRASIL: Já correu risco enquanto fotografava?
Flávio Damm: Não.