Fim da reprovação leva professores a cruzarem os braços

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Publicado terça-feira, 22 de maio de 2007 as 12:35, por: cdb

Com número expressivo de 1.054 escolas, 37 mil professores e quase 750 mil alunos, a Rede Municipal de Ensino passa por mudanças polêmicas. A resolução 946 da Prefeitura do Rio de Janeiro, de 25 de abril de 2007, provoca protestos de professores, sindicalistas e políticos. 

A resolução prevê a aprovação automática dos estudantes – ano passado, mais de 80 mil foram reprovados. Na próxima quarta-feira, haverá uma paralisação das atividades escolares por 24 horas contra a medida do prefeito César Maia.

O presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Vereadores, Doutor Jairinho (PSC), é um dos que se opõem à medida. O vereador criou o projeto de decreto legislativo que anula os efeitos da resolução.

Segundo ele, as estatísticas mostram que muitos alunos concluem o Ensino Fundamental sem saber ler, escrever e somar de forma correta. 

– O sistema de aprovação automática é ruim para o aluno que não aprende o que devia e passa a se desinteressar pela escola, já que não tem necessidade de estudar para passar de ano -, disse. 

Jairinho defende a reprovação e classifica a medida do prefeito César Maia como um absurdo, já que o Conselho Municipal de Educação não foi consultado sobre a resolução. 

– O que a resolução estabelece é uma catástrofe que se abate sobre o Ensino Fundamental no Rio. É uma decisão absurda que está decretando o aumento do número de semi-analfabetos que sairão do sistema de ensino de 1ª à 8ª séries -, criticou.
 
– Trata-se de uma medida de caráter político que se destina a positivar as estatísticas do ensino fundamental no âmbito do município -, acrescentou.
 
De acordo com o vereador, especialistas, educadores, pais e responsáveis e a maioria dos alunos são contra esse sistema, já que atingem principalmente crianças de baixa renda.
 
– O que o prefeito teria de fazer, ao invés de querer aprovar a qualquer preço os alunos, era investir maciçamente na Educação, elevando a qualidade do ensino, melhorando as condições de trabalho dos professores e seus salários. Que tipo de brasileiros o prefeito César Maia pensa que está formando? – questionou.
 
Afinado com o vereador está o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ). Para a professora e diretora do Sepe, Edna Felix, a resolução é uma irresponsabilidade da prefeitura.
 
– É necessário investimento nas escolas, nos alunos e nos professores. A aprovação direta dos alunos é uma completa irresponsabilidade da prefeitura, já que muitos alunos chegam à 6ª série praticamente analfabetos -, afirmou Edna.

Segundo Edna Felix, o sindicato irá marcar uma reunião com o presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Vereadores, na tentativa de unir forças pela derrubada da resolução.
 
– No próximo dia 23 a rede municipal estará fazendo uma paralisação de 24 horas e uma manifestação em que entre as várias reivindicações, estará a anulação desta resolução -, disse a diretora do Sepe-RJ.

A manifestação que também será um protesto contra a aprovação automática dos alunos reivindica, também, um reajuste real do piso salarial de 30%. No mesmo dia da paralisação, às 10h, ocorrerá um ato público no Centro Administrativo da Prefeitura.

Procurada pelo Correio do Brasil , a Secretaria Municipal de Educação, alegou, por meio da assessoria de imprensa, que desconhece o projeto de decreto legislativo do vereador Jairinho. A secretaria confirmou que mais de 80 mil estudantes foram reprovados, ano passado, número que corresponde a 11% dos alunos matriculados na Rede Municipal de Ensino.