Fim da lua de mel

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Publicado quarta-feira, 27 de novembro de 2002 as 16:33, por: cdb

O já quase governista Partido dos Trabalhadores (PT) e os já quase oposição Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Partido da Frente Liberal (PFL) não conseguiram chegar a um acordo, nesta quarta-feira, sobre a votação da Medida Provisória 66, que dá o pontapé inicial para uma proposta fundamental do presidente eleito Luiz Inácio da Silva: a mini-reforma tributária.

Sem acordo, os líderes partidários na Câmara decidiram não votar a medida em plenário, na sessão marcada para as 11 horas.

O presidente da Câmara, Aécio Neves, reuniu-se com as lideranças para intermediar as negociações visando a um acordo que permitisse a votação, mas não houve consenso.

“Ontem, avançamos muito nos entendimentos, mas eu me reunirei à tarde e darei um prazo fatal para a votação, terça-feira que vem, mesmo sem entendimento”, disse Aécio. “Aí vencerá quem tiver mais voto e quem quiser obstruir”.

O PSDB de Aécio, na realidade, quis deixar claro que não gostou de críticas ao governo de Fernando Henrique Cardoso e por isso não votou, rompendo o clima de “lula-de-mel” que até então era a tônica do processo de transição.

Nos últimos dias, diversos petistas que tiveram acesso ao diagnóstico do governo de FHC têm falado bravatas da atual gestão, inclusive o próprio Lula, que disse a sindicalistas na terça-feira que herdará de seu antecessor um “abacaxi” difícil de descascar.

O líder do PT na Câmara, deputado João Paulo Cunha, declarou nesta quarta-feira que “a herança que será deixada para o presidente eleito é de um país endividado e com instabilidade econômica”.

O ponto crucial da mini-reforma é a prorrogação, até dezembro de 2003, da alíquota máxima de 27,5 por cento do Imposto de Renda da Pessoa Física.

A prorrogação da alíquota representa acréscimo de até R$ 2 bilhões no caixa do novo governo.

Os líderes do PFL, por sua vez, resolveram bater de frente com os anseios do PT e ameaçaram apresentar duas emendas, retirando a alíquota de 27,5 por cento e impondo uma de 25 por cento, que vem a ser a outra proposta.

O PFL agora também quer retirar a alíquota de nove por cento da Contribuição sobre o Lucro Líquido das empresas.