Filme de Spielberg e Tom Hanks decepciona na abertura de Veneza

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Publicado quinta-feira, 2 de setembro de 2004 as 11:14, por: cdb

Dois dos maiores nomes de Hollywood, Tom Hanks e Steven Spielberg, lançaram na quarta-feira o que está sendo saudada como a mais ambiciosa edição do festival de cinema de Veneza em anos, mas sua comédia romântica “O Terminal” não agradou na abertura do evento.

Mais de 70 longa-metragens, muitos deles em suas estréias mundiais, serão exibidos na 61a edição do mais antigo festival de cinema do mundo, que vai continuar até 11 de setembro — data importante para os trabalhos mais polêmicos que serão exibidos no festival.

Uma série de astros e estrelas famosos, além de diretores internacionalmente aclamados, vai passar pelo tapete vermelho, e um número recorde de paparazzi chegou a Veneza para cobrir o evento.

Mas “O Terminal”, em que Tom Hanks representa um viajante vindo de um país do leste europeu que se vê preso no aeroporto JFK, em Nova York, por nove meses, inaugurou o festival num clima um pouco decepcionante.

A sessão do filme feita para a imprensa foi saudada com poucos aplausos. Os críticos elogiaram a performance de Tom Hanks, mas disseram que teriam preferido ver algo mais novo.

“Ninguém pode negar que Hanks e Spielberg são dois nomes cobiçados em qualquer festival, mas, francamente, o filme já está em cartaz há dois meses e não tem se saído muito bem”, opinou um crítico britânico.

“O Terminal” estreou há dois meses nos Estados Unidos, onde vem tendo uma recepção mista entre a crítica e o público.

Os organizadores do Festival de Cinema de Veneza, que estão procurando caracterizá-lo como evento repleto de celebridades, disseram que a dupla premiada com o Oscar foi a escolha perfeita para abrir o festival.

Em entrevista à Reuters, o novo diretor de Veneza, Marco Muller, explicou: “Precisávamos de um filme que tivesse aura de filme de abertura. ‘O Terminal’ trata de muitas questões sérias, mas também é uma ótima comédia.”

Muller disse que a enxurrada de blockbusters de Hollywood não vai prejudicar as raízes independentes e de arte do festival.

“Eu queria um festival de filmes de qualidade para o público de massas. Mas, se o Festival de Cinema de Veneza quiser realmente ser útil, terá que criar condições para que filmes mais frágeis possam encontrar público e distribuidores”, disse Muller.

Steven Spielberg disse a jornalistas que a comédia satisfaz a “necessidade (do público) de uma válvula de escape num momento em que o mundo está em crise.”

O festival vai assumir um ar mais internacional na quinta-feira, quando começarão a ser exibidos alguns dos 21 trabalhos que vão competir pelo prêmio máximo de Veneza, o Leão de Ouro.

Os ataques de 11 de setembro contra os Estados Unidos serão o centro das atenções no fim de semana, com a exibição de “Land of Plenty”, de Wim Wenders, sobre os EUA pós-11 de setembro.