Filho de Vargas Llosa acusa ‘fujimoristas’ de ameaçar a família dele

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Publicado sexta-feira, 3 de junho de 2011 as 14:31, por: cdb
Humala
Humala chega à reta final da campanha em ascensão diante da adversária, Keiko Fujimori

O jornalista Alvaro Vargas Llosa, filho do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, denunciou nesta sexta-feira que sua família foi alvo de intimidações, segundo ele, feitas por militantes da candidata presidencial peruana Keiko Fujimori, em represália ao seu apoio a Ollanta Humala, no segundo turno do pleito.

– Quero dar a vocês uma mensagem de meu pai, Mario Vargas Llosa. A máfia ‘fujimontesinista’ enviou para minha casa um grupo de bandidos, que tentou intimidar as crianças e idosos que lá vivem. Quero dar-lhes uma resposta de meu pai a estes agressores: Olanta Presidente – disse o jornalista a milhares de pessoas que acompanhavam um comício de Humala, no centro de Lima.

Ao citar o “fujimontesinismo”, Alvaro Vargas Llosa se refere à aliança nos anos 90 entre o presidente Alberto Fujimori, pai de Keiko, e seu assessor Vladimiro Montesinos, ambos presos por corrupção e violação dos direitos humanos. Um colaborador do escritor, que pediu anonimato, disse à agência francesa de notícias AFP, na véspera, que “um grupo de cerca de 50 pessoas esteve em frente à casa do escritor, onde permaneceram por meia hora”, no distrito de Barranco, em Lima.

O prêmio Nobel fez uma intensa campanha contra a Keiko Fujimori, classificada por ele como a herdeira “de um regime corrupto e violador dos direitos humanos”. Os fujimoristas, no entanto, interpretam a posição como um reflexo da derrota do escritor nas eleições presidenciais de 1990 contra Alberto Fujimori. Após uma campanha marcada por ataques, os peruanos vão às urnas neste domingo em uma disputa acirrada, sem qualquer indício concreto de quem vai vencer. As pesquisas, por enquanto, não apontam um favorito.

Supercomícios

O último dia da campanha oficial dos dois candidatos à Presidência do Peru teve supercomícios de Ollanta Humala e Keiko Fujimori, com a presença de milhares de partidários, e terminaram na madrugada desta sexta-feira. Refletindo a polarização, intensa rivalidade e indefinição nas pesquisas que têm marcado o segundo turno, os palanques de cada candidato estavam distantes apenas 1,5 quilômetro e os comícios finais ocorreram quase que simultaneamente. O dia também foi marcado pela divulgação de uma nova pesquisa de intenção de voto mostrando Keiko com uma ligeira vantagem, mas ainda dentro da faixa de empate técnico.

Segundo o instituto de pesquisa Ipsos Apoyo, a conservadora chegaria às urnas com 51,1% dos votos válidos e Humala, 48,9%. Ela em queda e ele em ascensão nos últimos dias de campanha. A acirrada disputa presidencial será decidida no domingo, com uma votação que já vem sofrendo acusações de possíveis fraudes.

Entre um palco e outro, centenas de policiais patrulhavam as ruas para garantir que os partidários dos candidatos rivais não se encontrassem. Apesar da tensão, o clima no centro da capital era de festa. Aos gritos de “Se siente, se siente, Ollanta presidente”, o candidato de centro-esquerda, subiu ao palco vestido de jeans e camisa azul, que passou a vestir após aposentar a vermelha, numa tentativa de deixar sua imagem mais palatável para os eleitores moderados. Ele estava acompanhado da família, de Alejandro Todelo, ex-presidente peruano e candidato derrotado no primeiro turno, e também de Álvaro Vargas Llosa, filho do mais reconhecido escritor peruano, Mario Vargas Llosa.

Ditadura

Humala pediu que os eleitores não tivessem medo da mudança que ele representava e atacou Keiko, alegando que ela representa a continuidade do governo de seu pai, o ex-presidente Alberto Fujimori, que governou entre 1990 e 2000 e foi condenado em 2009 a 25 anos de prisão por violação de direitos humanos no país.

– É preciso dizer aos eleitores mais jovens o que aconteceu na década de 90, para que a ditadura não seja instalada de novo. Dizem que queremos mudar a constituição. Eles já mudaram para fechar o Congresso, não respeitaram a liberdade de expressão e os que pensavam diferente – disse Humala.

Vestindo uma camiseta estampada com um grande “O” (de Ollanta), a estudante de direito Diana Pabón, de 29 anos, era uma das mais empolgadas ao lado do palco do nacionalista.

– Sua maior qualidade (de Humala) é representar a mudança. É isso que queremos, pois estamos cansados de tanta corrupção. Ele vai cobrar imposto das grandes empresas e valorizar os que precisam de ajuda. E o pior da Keiko é aquela equipe que a cerca. Se ela ganha, o que os outros países vão pensar de nós peruanos? – disse.

Ex-rivais

Tomada por bandeiras laranja, a multidão na outra ponta da avenida ouviu Keiko prometer intensificar os programas sociais e anunciar que fariam parte de seu governo os candidatos derrotados do primeiro turno que a estão apoiando, como Pedro Pablo Kucynski. Acompanhado da mulher, Wilfredo Huarsaya, um professor de matemática de 32 anos, dizia ter certeza que Keiko seria eleita.

– Ela merece vencer pela competência que sempre mostrou, desde que assumiu como primeira-dama no governo do pai dela – concluiu.