Filha do casal está impedida de sair do País

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Publicado sexta-feira, 5 de dezembro de 2003 as 21:59, por: cdb

A filha mais velha do casal Staheli, atacado no último domingo na Barra, no Rio, está impedida de deixar o Brasil. A determinação é do juiz da 2ª Vara da Infância e Adolescência, Guaracy Viana, a pedido da Delegacia de Homicídios. A menina de 13 anos não poderá deixar o Brasil até o caso ser resolvido ou até obter uma autorização especial.

Antes, a Justiça havia determinado que os dois filhos mais velhos permanecessem no País até prestarem depoimento. Hoje, os filhos mais velhos do casal depuseram na Justiça. A filha de 13 anos disse no depoimento que prestou que seu pai estava muito preocupado com um relatório que teria que entregar para a Shell e que precisava ser alterado a todo momento. Ela também disse que seu pai discutia muito por telefone sobre o relatório.

A menina disse que não havia alarme nem cerca elétrica na casa. Ela contou que abriu a porta da casa para o casal amigo dos Staheli, mas que o portão da casa estava destrancado. A empregada da casa não tinha as chaves da casa, segundo o depoimento.

A filha mais velha também disse que retirou um travesseiro da cabeça do seu pai na cena do crime e que em seguida chamou o casal de norte-americanos. Segundo os advogados, pais e filhos tinham uma boa relação.

A menina disse também não acreditar que seus pais tivessem inimigos. Segundo o depoimento, no dia da morte dos pais, ela foi dormir à meia-noite e passou pelo quarto do casal, onde tudo parecia correr bem.

Seu irmão de 10 anos, que também depôs, estava muito nervoso. O menino foi quem encontrou os pais feridos. A machadinha escocesa encontrada na casa era do garoto, que disse ter mostrado a alguns amigos um dia antes do ataque aos pais. A perícia não detectou nenhuma impressão digital ou mancha de sangue na machadinha.

O casal, também norte-americano, que viu a cena do crime também depôs hoje. Caroline Turner depôs primeiro. Ela disse que o portão da casa estava aberto e que não subiu ao segundo andar da casa para ver o casal. Ela disse também que as crianças estavam apavoradas e que a filha mais velha era a única que estava sem pijama. Jeffrey Turner disse que não viu sinais de arrombamento na casa.

A menina também disse que a mãe sentiu falta de uma flauta que custava cerca de US 200 e que desconfiava da empregada. A adolescente também disse que gosta de um adolescente 14 anos, também norte-americano, que mora no Rio, mas que não o considera um namorado.

Casal tentou se defender
Uma lesão na mão direita pode indicar que Michelle Staheli tentou se defender do ataque que sofreu junto com seu marido, Zera Todd Staheli, um executivo da Shell, no último domingo. A informação foi dada hoje pelo perito Tito de Abreu Filho. Segundo o diretor do IML do Rio de Janeiro, Roger Lancelote, ela também apresentou lesão no supercílio e escoriações. Várias lesões de defesa foram encontrados no corpo de Michelle.

O perito também disse que a arma usada no crime pode ter sido um facão de jardineiro, um machados e até mesmo um enxada. Ele não confirmou se o mesmo instrumento foi usado para matar os dois. No entanto, ele disse que são “instrumentos semelhantes”.

Michelle, que morreu na quinta-feira no hospital Copa D’Or, resistiu às agressões, feitas com uma machadinha, um cutelo ou uma tesoura de cortar grama, informou a perícia. Ela recebeu três golpes e tinha hematomas na mão e em várias partes do corpo, indicando a resistência. Todd, que morreu no domingo, logo após ser agredido, provavelmente não resistiu ao crime, segundo os peritos.

O secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho, disse que esse é um caso complexo. Garotinho descartou que a machadinha encontrada em um cômodo da casa teria sido a arma do crime. Os três participaram hoje de uma entrevista coletiva para dar detalhes do crime.

“Desde o início, quando foi averiguado que não havia arrombamento e após relatos da perícia técnica, foi descartada a possibilidade de ter sido feito um crime ‘convencional’. Não foi um latrocín