Fiji pede desculpas por canibalismo

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Publicado quarta-feira, 26 de novembro de 2003 as 10:49, por: cdb

Moradores de um vilarejo do interior de uma das ilhas de Fiji choraram na quinta-feira ao pedir desculpas pelo fato de seus ancestrais terem comido um missionário britânico mais de 130 anos atrás.

O pedido de desculpas foi feito aos descendentes do missionário.

Os moradores do pequeno assentamento de Nubutautau e os parentes do reverendo Thomas Baker participavam de um complexo ritual de reconciliação, que, esperam os moradores do local, acabe com uma onda de azar que aplacaria o local há muito tempo.

Canibais mataram Baker em 1867 e o comeram depois de o missionário ter aparentemente menosprezado o então chefe do vilarejo. Até mesmo as botas do britânico foram cozidas junto com o corpo dele e uma planta local. O episódio teria resultado na maldição com que agora tentam acabar.

– As lágrimas vieram do fundo de nossos corações porque esperamos por isso por muito tempo. Acreditamos nisso. Somos cristãos e hoje seremos libertados da maldição – afirmou o porta-voz do vilarejo, Tomasi Baravilala. 

A Bíblia, o pente e a sola das botas de Baker foram entregues para seus descendentes, que viajaram da Austrália para a cerimônia no vilarejo, e serão mantidos no Museu Fiji, na capital do país, Suva.

Os moradores de Nubutautau tentaram sem sucesso comer as botas depois de Baker e oito de seus seguidores de Fiji terem sido mortos com golpes de bastão nesse país do sul do Pacífico, conhecido no passado como as Ilhas Canibais.

O canibalismo era uma prática disseminada na ex-colônia britânica e a carne humana era descrita como “porco comprido”.

Da cerimônia de reconciliação, participaram cerca de 2.000 pessoas, entre as quais o primeiro-ministro de Fiji, Laisenia Qarase, e membros do influente Grande Conselho de Chefes.