Fidel desafia Bush e acusa Forbes de mentirosa

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Publicado terça-feira, 16 de maio de 2006 as 10:28, por: cdb

Presidente cubano, Fidel Castro reagiu nesta terça-feira com indignação a matéria publicada na revista Forbes. Ele desafia Washington e a CIA a provarem a existência da sua suposta fortuna, anunciada pela publicação.

– Desafio que provem o que disseram aqui – disse Castro, com um exemplar de Forbes na mão, num programa especial da televisão local, acompanhado por vários de seus ministros e altos funcionários do Partido Comunista de Cuba.

Em sua última edição, a revista atribuiu a Castro contas no exterior e uma suposta fortuna pessoal de US$ 900 milhões. Ele ocuparia o sétimo lugar entre os governantes e chefes de Estado mais ricos do mundo.

– Se eles provarem que eu tenho uma conta no exterior de US$ 900 milhões, ou de um dólar, eu renuncio agora a todas as funções que desempenho – afirmou Castro.

Durante o programa, o líder cubano se referiu à revista como um “libelo” e a seu diretor como um “bandido” e considerou a informação sobre sua suposta fortuna um “lixo” e uma “calúnia” orquestrada pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e pelas agências de espionagem americanas. O objetivo seria tirar a credibilidade do dirigente e da revolução cubana: “Vamos ver que inventam”, disse Castro, insistindo que “criaram uma mentira absoluta”.

– Deixem de bobagens, procurem um testa-de-ferro, uma conta, um dólar. É ridículo me atribuir uma fortuna de US$ 900 milhões. Uma fortuna sem herdeiros – afirmou Castro. Ele se perguntou para que poderia querer o dinheiro, agora que está prestes a completar 80 anos, se não quis antes, quando era mais jovem. O discurso durou cerca de quatro horas e meia.

Apoio

Presidente do Banco Central de Cuba, Francisco Soberón, que participou do programa, também atacou a informação da Forbes, do ponto de vista econômico. O ministro da Cultura, Abel Prieto, citou uma longa lista de casos de manipulação de informações na imprensa internacional. Já o historiador Eusebio Leal lembrou o rosário de doações de Castro ao patrimônio cubano em quase cinco décadas de mandato.

A informação da revista é uma “mentira” que, segundo Soberón, se enquadra nas “ações obscuras que as agências de inteligência do Governo dos EUA têm promovido durante quase meio século com o pérfido objetivo de desacreditar” Cuba e seu maior dirigente, afirmou. O presidente do Banco Central apontou o diretor da Forbes como um “colaborador incondicional” da família Bush e denunciou que as fórmulas utilizadas pela revista para calcular a fortuna de Castro são “grosseiras e ridículas”.

Além disso, insistiu que na centralizada economia cubana “é totalmente impossível” a um dirigente dispor de contas pessoais no exterior. Ainda mais sendo “um líder irrepreensível” como Castro, disse. Segundo Eusebio Leal, Castro doou a museus, instituições culturais e asilos cubanos cerca de 11.700 presentes recebidos de personalidades de 133 países desde que assumiu o poder, em janeiro de 1959.

Lapiseiras, relógios, espadas, presas de elefante, peles de animais, jóias, tapeçarias e tapetes são apenas uma parte das doações de Castro, segundo a apuração do historiador.