Fiat bate a Volks e é líder do mercado

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Publicado quinta-feira, 3 de janeiro de 2002 as 22:35, por: cdb

Na disputa travada durante todo o ano de 2001 entre as duas maiores montadoras do País, venceu a italiana Fiat que, pela primeira vez desde sua chegada ao País, em 1979, conseguiu a liderança nas vendas de automóveis e comerciais leves. Para a alemã Volkswagen é uma derrota histórica, após 42 anos como a número 1 do mercado.

No atacado (das fábricas para as lojas), as vendas da Fiat somaram 415.921 unidades, ante 402.655 da concorrente. Já no varejo (da loja ao consumidor), as duas marcas reivindicam a liderança. A montadora de Betim (MG) informou ter comercializado 411.812 veículos em 2001, enquanto a Volks divulgou que seus números atingiram 415.535 unidades.

A diferença da Volks, no entanto, está na contabilidade dos resultados da Audi, sua coligada na fábrica instalada no Paraná. Sem essa marca, o número baixa para 403.082 unidades, o que também garante a liderança à Fiat. No caso das vendas no atacado, a própria Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) não contabiliza números da Audi, o que deve começar a fazer neste ano.

Incluindo as outras marcas, as vendas no atacado somaram pouco mais de 1,5 milhão de unidades em 2001, resultado que representa um crescimento de 7,5% em relação ao ano anterior, mas abaixo das previsões iniciais da Anfavea.

A Fiat ficou com 27,4% de participação, e a Volks, com 26,6%. A General Motors vendeu 349.894 veículos (uma participação de 23,1%); a Ford, 109.735 (7,2%) e a Renault, 69.843 (4,6%). Demais fabricantes e importadores comercializaram cerca de 152 mil unidades. O balanço final do setor será divulgado na próxima terça-feira pela Anfavea.

Depois da francesa Renault – que inaugurou sua fábrica no fim de 1998 e no ano passado registrou crescimento de 23,4% nas vendas – a Fiat foi a que mais cresceu entre as cinco maiores montadoras. Suas vendas foram 14,8% melhores do que em 2000, enquanto as da GM aumentaram 6,1%, e as da Volks 5,3%.

A Ford foi a única no grupo que teve resultado negativo de 9%. A exemplo do que vem fazendo em todo o mundo, a Ford americana anunciou na semana passada uma reestruturação nas fábricas de Brasil, Argentina e Venezuela, que representará o corte de 1,6 mil trabalhadores. No País – onde somente a unidade recém-inaugurada na Bahia ficará de fora da mudança – as dispensas devem ser feitas por meio de programas de voluntariado.

A Volks, que já vem passando por processo de reestruturação há quatro anos, enfrentou uma greve de trabalhadores em sua maior fábrica no ABC paulista e teve de rever o corte de 3 mil funcionários. Metade deles voltou ao trabalho, e os outros estão em licença remunerada. A montadora abriu um programa de demissões voluntárias com o objetivo de obter 700 adesões. Se não conseguir, vai escolher entre o pessoal em licença quem não retornará em fevereiro.