FHC reconhece “responsabilidade” de governo Lula

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Publicado quinta-feira, 10 de abril de 2003 as 11:50, por: cdb

No centésimo dia de governo de seu sucessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua reticente nas declarações sobre a política econômica que o PT vem conduzindo. Nesta quinta-feira, durante palestra em São Paulo, ele só arriscou dizer que a equipe do presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou que agiu “responsavelmente” para voltar a atrair os investidores estrangeiros.

A palestra era sobre “perspectivas da economia brasileira” e “governabilidade”. No entanto, os cerca de 55 minutos de fala de FHC mal tocaram nas palavras “Lula” ou “Brasil”. O cenário internacional e o ataque dos Estados Unidos ao Iraque monopolizaram o discurso.

Após cerca de 45 minutos, FHC fez a primeira menção clara à administração de Lula. Ao contar a história do início do FMI (Fundo Monetário Internacional), em 1945, o ex-presidente disse que, com o passar do tempo, a instituição perdeu importância.

“O Fundo ficou fraco. E a prova disso foi que, no ano passado, o Fundo deu apoio fortíssimo ao modelo econômico brasileiro e os mercados não prestaram tanta atenção assim”, afirmou. “No passado, caía tudo (risco-país e dólar, por exemplo) na hora. Aqui, não, os mercados responderam ‘precisa ver como vem o novo governo'”, acrescentou.

Para Fernando Henrique, “só quando o novo governo começou a demonstrar que tinha capacidade de agir responsavelmente”, os mercados começaram a dar sinais de confiança novamente.

FHC só voltou a falar sobre o governo Lula após ser perguntado pelo mediador como a atual administração deveria se portar em relação ao conflito no Iraque.

“Acho que a nossa diplomacia tem tradição nesta matéria que é consistente. Somos multilaterais, favoráveis à paz, sempre fazemos esforços para evitar a guerra. O governo atual está fazendo isso, está fazendo certo”, disse. “Não faria diferente se estivesse na Presidência.”

Apesar do elogio, o tucano não deixou de provocar o petista, referindo-se a uma frase dita pelo presidente há cerca de duas semanas. Na ocasião, Lula disse que, na oposição, é possível fazer bravata, mas, na Presidência, não. Uma das críticas de FHC quando estava no poder era de que a oposição só sabia criticar.

“Não temos cabedais para bravata, mas o Lula já disse que não está na posição de fazer bravata. Então para que bravata?”, disse Fernando Henrique, tirando risos da platéia. “Agora, entre bravata e deixar de atuar e deixar de dizer o que pensa e tentar construir uma solução positiva, a diferença é grande.”

FHC ainda recomendou que o Brasil não se coloque na posição de “inimigo” contra “quem quer que seja”. “Não pode ser uma posição cínica, tem de ser verdadeira, mas não uma posição de conflito.”