FHC pede a organismos internacionais que ajudem Argentina a sair da crise

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Publicado sábado, 16 de novembro de 2002 as 23:52, por: cdb

O presidente Fernando Henrique Cardoso encerra hoje sua participação nos encontros de Cúpula no exterior fazendo um apelo aos organismos financeiros internacionais para que socorram a Argentina a sair da crise econômica.

Fernando Henrique reuniu-se, hoje de manhã, a sós, com o presidente argentino Eduardo Duhalde e saiu do encontro convencido de que se não for realizado “um gesto heróico” pelo país vizinho, os argentinos não conseguirão superar as dificuldades.

“Eles (os argentinos) estão insistindo que o problema deles não é de moratória, é de falta de recursos para pagar porque ficariam com um nível de reservas. Uma coisa é a decisão política de não pagar, outra coisa é dizer que não há dinheiro e pedir ajuda”, avaliou o presidente.

Apesar de não constar da versão oficial de seu discurso entregue aos jornalistas, Fernando Henrique revelou que, de improviso, voltaria a conclamar a Comunidade Ibero-americana a cobrar uma ajuda mais “enérgica” ao governo argentino, porque avalia que sem o socorro internacional, a Argentina não sairá do círculo vicioso em que se encontra.

“Se eles não tiverem esse apoio, não têm como sair da situação em que estão. É uma espécie de círculo vicioso: o apoio não é dado porque há o problema de não serem adimplentes e eles não podem ser adimplentes enquanto não houver uma confiança maior demonstrada”, disse.

O presidente garantiu que o Brasil fará sua parte nas conversas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para ajudar o Brasil. Ele lembrou que o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, também está preocupado com a questão, e na avaliação do presidente, o governo norte-americano também poderá ter papel mais decisivo na definição do que fazer com a Argentina a partir de conversas com o Brasil.

“Nós não podemos deixar que um país da importância da Argentina e com potencial de crescimento efetivo que ela tem fique simplesmente à margem do sistema financeiro internacional”, resumiu.

Além da defesa da Argentina, o presidente vai reiterar a posição crítica do governo brasileiro em relação à política protecionista do mundo desenvolvido e à instabilidade do mercado financeiro internacional, que além de impedir o crescimento dos países em desenvolvimento, os deixam sujeitos a crises de especulação.

“É preciso afirmar sem meias palavras: o protecionismo dos países ricos e a instabilidade dos fluxos financeiros internacionais são, hoje, obstáculos mais consideráveis ao crescimento nos países em desenvolvimento. Daí a importância dos processos de integração dos dois lados que envolvem esta equação: os mais ricos e os mais pobres”, diz o presidente em seu discurso.

A queixa não consta do documento final assinado entre os 21 chefes de Estado e Governo que participam da Cúpula, mas o presidente revelou que haverá um pedido formal aos dois membros europeus da comunidade para que expressem a “insatisfação”, dos países ibero-americanos com a atual política de subsídios agrícolas adotada pelo bloco europeu.