FHC garante a ministros que não abrirá “caixa-preta” a candidatos

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Publicado quarta-feira, 14 de agosto de 2002 as 21:43, por: cdb

Com os números do governo, Fernando Henrique quer mostrar as dificuldades que o País está enfrentando e pedir apoio de todos os presidenciáveis para as medidas que estão sendo adotadas para enfrentar a atual crise.

A crítica situação das contas públicas será apresentada com base em dados do Orçamento da União, mostrando as respectivas disponibilidades de caixa dos setores mais importantes e os principais problemas.

O presidente voltará a falar também da necessidade de aprovar, ainda este ano, algumas medidas tributárias que estão tramitando no Congresso.

Serra
A idéia é que o tom dos encontros de Fernando Henrique com os candidatos seja totalmente econômico, centrado na apresentação das contas públicas e dos problemas do orçamento deste final de ano e do início do ano que vem. A tentativa é evitar que essa agenda ganhe conotação política, podendo irritar ainda mais o candidato governista, José Serra.

O tucano não escondeu de seus auxiliares mais próximos, nas últimas horas, seu descontentamento com a iniciativa do presidente de pedir os encontros com seus adversários. A avaliação interna do PSDB, que coincide com a de Serra, é que Fernando Henrique deixou evidenciar que não aposta mais na vitória de seu candidato. E que, a partir dos encontros, qualquer outro candidato poderá sair do Planalto com o discurso de que também trabalha para garantir a estabilidade, a principal bandeira da campanha tucana.

Para tentar tranqüilizar Serra, o próprio Fernando Henrique disse-lhe, nas difíceis conversas que têm sido travadas entre os dois desde o início da semana, que o encontro com os candidatos é “absolutamente necessário” para acalmar o mercado, segundo relato de um interlocutor do presidente.

O presidente explicou que o governo precisa chegar ao dia 26 de setembro, quando o acordo com o FMI deverá finalmente ser assinado, com todos os presidenciáveis concordando com os termos.

Todos os ministros que auxiliaram o presidente hoje na elaboração de uma pauta para as conversas de segunda-feira concordam que esse apoio dos candidatos é fundamental neste momento, apesar do descontentamento de Serra.

Apoio explícito
Depois de fazer apelos aos candidatos, em entrevistas e discursos, Fernando Henrique insistirá que sem um compromisso claro e explícito de apoio de todos os candidatos ao acordo com o FMI, o mercado poderá seguir reagindo negativamente, comprometendo todo esforço feito até agora.

Mesmo com o anúncio das negociações com os candidatos, o dólar voltou a subir hoje, tendo alcançando a cotação de R$ 3,205. Ao confirmar que o encontro de Fernando Henrique com a equipe econômica foi para tratar dos preparativos da reunião de segunda-feira, o porta-voz do Planalto, Alexandre Parola disse ainda que, além de Malan e Armínio, mais dois ou três ministros poderão participar dos encontros com os presidenciáveis. Os ministros devem preparar dados bem fundamentados sobre as contas públicas e os orçamentos, para serem apresentados aos candidatos

Imagens
Os encontros serão abertos para imagem, e o governo está consultando a legislação eleitoral para saber se pode destinar um local específico no Palácio do Planalto para que os candidatos concedam entrevista ao final.

Outras reuniões preparatórias ainda serão realizadas até segunda-feira. Especialmente depois desta quinta-feira, quando estarão vencendo US$ 2,5 bilhões em títulos públicos. É grande a expectativa no governo quanto ao comportamento do mercado já que o dólar deverá se manter em alta.