FHC, diante do quadro negativo das pesquisas, quer tucanos em campanha

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Publicado sexta-feira, 19 de março de 2010 as 11:50, por: cdb

Ex-presidente da República e um dos principais líderes do PSDB, Fernando Henrique Cardoso cobrou urgência no lançamento da campanha eleitoral, mesmo que o governador de São Paulo, José Serra, ainda não tenha assumido publicamente a candidatura à Presidência. FHC percebe que a queda perene do número de eleitores que apoiam a legenda, nas pesquisas de opinião, podem significar uma derrota fragorosa para a legenda nas urnas, em outubro deste ano.

– Uma coisa é o candidato outra coisa é a campanha. Não sei porque o partido tem que esperar que alguém diga que é candidato para fazer campanha. Pode fazer logo, deve fazer o quanto antes. Não é uma questão do candidato… Acho que agora é o momento. Tem que atuar… dizer para que estamos vindo – disse ele a jornalistas após aula magna na Academia Brasileira de Letras.

Fernando Henrique lembrou que o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já entraram na disputa há algum tempo, o que vem favorecendo a ministra Dilma Rousseff nas pesquisas.

– O partido tem que ter autonomia frente seus candidatos. É preciso difundir mais – alertou o ex-presidente, admitindo que seja “possível” que Serra tenha segurado o partido.

Segundo ele, a candidatura de Serra está confirmada e garantida. O que falta é apenas a definição do momento do lançamento.

– Estamos discutindo data. Houve uma precipitação do presidente da República e isso dá a impressão que os outros estão atrasados – disse.

Fernando Henrique atribuiu a ascensão de Dilma nas pesquisas de opinião à forte exposição da candidata ao lado do presidente Lula.

– Tudo que está sendo atribuído a ela é em função dele. Por enquanto ela não é a líder. Ele ( Lula) é o líder. O povo só vê uma pessoa como candidato hoje, mas me surpreende o número de eleitores a favor do Serra nesse nível há anos mesmo sem ele (Serra) estar em campanha há muito tempo – criticou.

Na última pesquisa CNI/IBOPE, divulgada quarta-feira, a diferença do governador paulista sobre a ministra caiu para 5 pontos percentuais. O tucano tem 35% das intenções contra 30% de Dilma.

Discurso de campanha

Ainda nesta sexta-feira, a poucos dias de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), classificou o movimento grevista de professores paulistas como “marketing para a imprensa noticiar”, e voltou a defender os Estados produtores de petróleo na polêmica da redistribuição dos royalties. Sobre a greve dos professores, perguntado por jornalistas se considerava o movimento eleitoreiro, Serra respondeu simplesmente:

– Vocês são suficientemente inteligentes e observadores para tirar suas próprias conclusões.

Serra aproveitou o lançamento da empresa para promoção do turismo no Estado de São Paulo para criticar a política cambial do governo que, segundo ele, é culpada pela “estagnação” do setor turístico brasileiro.

– A política cambial mega, hiper valorizada torna o turismo no Brasil caro, muito caro. E torna o turismo do brasileiro no exterior barato, muito barato – discursou.

Ele lembrou que o Brasil tem um déficit de US$ 5,5 bilhões em gastos de turistas.

– O número de turistas estrangeiros no Brasil é o mesmo do início da década. O turismo no Brasil é uma atividade estagnada… é um problema de diversas naturezas, inclusive cambial – disse a jornalistas.

Apesar da crítica, Serra evitou usar o tema como tema para debate eleitoral:

– Se vocês quiserem discussão eleitoral, a gente faz outra hora.