Festa em casa de banqueiro é cenário para reforço à candidatura de Malan

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Publicado sábado, 25 de agosto de 2001 as 19:24, por: cdb

O aniversário de 50 anos de Catarina Malan, mulher do ministro da Fazenda, Pedro Malan, neste domingo, é a ocasião perfeita para mais um ponto na costura política de FHC para encaminhar a candidatura de seu principal assessor à Presidência da República. A festa acontecerá na casa do presidente do Unibanco, Pedro Moreira Salles. Juntos com o banqueiro, uma espécie de avalista das campanhas tucanas e um dos maiores colaboradores financeiros para as duas eleições de FHC, outros empresários paulistas e do Rio de Janeiro são presenças garantidas na festa de Catarina, conforme adianta o jornalista Guilherme Barros, da Folha de São Paulo.

Os dois Pedros, Malan e Moreira Salles, jantaram nesta sexta-feira em São Paulo, segundo apurou Ricardo Boechat, colunista do Jornal do Brasil. Um dos assuntos foi a reunião de domingo à noite na mansão do banqueiro, onde também são presenças confirmadas o presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, Edmar Bacha, presidente da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid) e Kati de Almeida Braga, presidente do Icatu.

Em pronunciamento através de sua assessoria de Imprensa, Pedro Malan negou novamente qualquer intenção de concorrer ao cargo de FHC e que muito menos pretende se filiar a qualquer partido político até outubro deste ano, quando encerra-se o prazo legal para a mudança de partidos com vistas às eleições de 2002. Diz o ministro que sua vontade é, após o fim da atual administração, voltar ao Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e reassumir o posto de pesquisador da instituição.

Seu chefe, porém, parece não compartilhar deste anseio. FHC tem repetidamente citado o nome de Malan como um dos possíveis candidatos a sua sucessão e, no terceiro escalão do governo federal, o ministro da Fazenda tem sido motivo até de bolões de aposta, com sua candidatura figurando como pule de dez entre os funcionários. Parte desta insistência, novamente conforme apurou Barros, deve-se ao fato de que Malan deixaria de ser um interlocutor “de peso a favor do governo no debate sucessório”.

Ainda conforme publica na sua edição deste domingo, a Folha apurou que “Palácio do Planalto tem encomendado pesquisas para ter um indicador sobre a viabilidade de cada um dos candidatos. E, em todas elas, o nome de Malan é incluído.”

Nestas pesquisas, Malan aparece como o segundo nome mais cotado para o posto. Serra, no entanto, ainda aparece em primeiro, fato que tem levado o governador cearense, Tasso Jereissati, a abrir fogo contra o ministro da Saúde, seu adversário político de muito tempo. Já o índice de rejeição de Malan, segundo tais pesquisas, é bem menor do que o apresentado por Serra.