Festa da Biodiversidade finaliza sua 5a edição

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Publicado quarta-feira, 1 de junho de 2011 as 07:35, por: cdb

Por Ana Paula Fagundes 01/06/2011 às 10:28

Festa da Biodiversidade aconteceu em Porto Alegre com a presença de diversos grupos com enfoque ambiental e social. Organizadores escrevem manifesto sobre mobilidade urbana.

Em 2007 a ONU instituiu o 22 de maio como o Dia da Biodiversidade. Para que esta data não se torne mais uma instituida para marketing verde ocorreu em Porto Alegre a Festa da Bioversidade.

O evento que teve sua 5a edição, de 19 a 22 de maio, denunciou projetos e planos hegemônicos e mostrou as lutas e atividades desenvolvidas pelos coletivos. Contou com exposição de filmes, feira e festa.

A denúncia esteve no próprio local da Feira de todos os anos – o Largo Glênio Peres. O espaço público da cidade foi “adotado” pela multinacional Coca-cola que imprime seu logotipo em toda a parte. Mantendo aqui a fachada de socialmente justa, enquanto causa danos e privatização da água na Índia e outros países.

Outro tema denunciado foi o projeto da Copa 2014 que esmaga as comunidades de periferia para higienização da cidade. E a insanidade de um motorista que atropelou intencionalmente ciclistas na cidade, um reflexo do consumismo exarcebado.

Com humor, união, crítica e arte por mais um ano se movimentou esta cidade e as mentes de quem por lá estiveram.

 http://blogfestadabiodiversidade.wordpress.com/

MANIFESTO DIA INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE

Festa da Biodiversidade 2011, Porto Alegre/RS

Mobilidade urbana ? A cidade é para as pessoas!

Presenciamos uma cena de explícita violência nesta cidade. Em 25/02/2011 um carro atropela fileiras de ciclistas que se transportavam em via pública, o que foi vinculado na mídia nacional e internacional. Um atentado a livre expressão e ao direito de se locomover. Um ato que nos envergonha. Que causa repúdio e indignação. E nos entristece. Este episódio, por si, deveria ser suficiente para que sejam implementadas as ciclovias de imediato na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

Trabalhadores e trabalhadoras, estudantes e demais cidadãos circulam diariamente pelas ruas desta cidade utilizando como meio de transporte a bicicleta. Estão não apenas a mercê do azar, de acidentes que podem porventura ocorrer, mas sob a ameaça do ataque daqueles que creem em seu paradigma cultural que as ruas são dos donos dos carros e de insanos, como foi como demonstrado tanto neste 25/02 quanto em 2005 quando tivemos a morte de um ilustre ciclista, o pró-reitor de extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

As ruas não são dos carros. A cidade deve ser desenhada para as pessoas. O código de trânsito garante que pedestres têm preferência sobre os veículos e que bicicletas são veículos e têm seu lugar garantido nas vias públicas. Que veículos mais lentos tem prioridade sobre os de maior potência. A ordem lógica garante a preferência ao pedestre, seguida da bicicleta para então dar lugar aos automóveis. É um regramento solidário onde o maior protege o menor. Já a Constituição Federal (art. 5º, XV) assegura o direito de se locomover a todas as pessoas. Lá não consta que deve ser utilizado automóvel particular ou transporte público, como ônibus ou lotações.

A cada ano morrem no Brasil cerca de 40 mil pessoas vítimas do trânsito. Ser contra uma boa rede cicloviária é ser a favor da barbárie que vigora hoje em dia. Ciclovias são boas para todo mundo, inclusive para os motoristas. Cidades com redes cicloviárias bem planejadas, como Londres, Nova York, Paris, Estocolmo, San Francisco, Bogotá, Copenhague têm muito menos trânsito. Em tempos de aquecimento global deve ser incentivado o uso de bicicletas em todas as cidades e implementados os meios para, especialmente onde se aspira a ecologia e a sustentabilidade.

Há três décadas, o equivalente a uma geração, Porto Alegre aguarda a implementação do Plano Diretor Cicloviário. Do projeto inicial de 1981, que previa 162 quilômetros de ciclovias na cidade, foi anunciado em 2010 a construção de apenas 47 km de faixas para ciclistas até a Copa. Até o momento apenas pequenos trechos com pretensão de ciclovias foram ou estão prestes a ser construídos. A cidade que pretende ser sede da Copa de 2014 – a Copa Verde, não implementa uma rede cicloviária que realmente atenda as necessidades. Alimenta promessas: legado de um governo para outro.

Existem cidades que implementam redes cicloviárias que permitem o deslocamento de seus habitantes e o desenvolvimento de novos atletas e esportistas e sobretudo incentivam a qualidade de vida da população, que respira menos gás carbônico, pratica mais exercícios e garante mais saúde para as próximas gerações. Porto Alegre fica para trás na história.

A ordem lógica do trânsito precisa ser re-estabelecida. Unindo razão e sensibilidade, se faz necessário que:

– hajam grandes extensões de vias próprias para ciclistas projetadas de maneira estratégica. Unindo parques para o lazer, escolas, universidades, zona rural e urbana da cidade, linhas de mercados e outros centros comerciais, fábricas e indústrias;

– sejam impostos limites éticos ao marketing dos fabricantes que vendem à idéia de “adoração” aos carros;

– os exames para adquirir a Carteira de Habilitação sejam mais qualificados e não se restrinjam a medir a “destreza” do condutor;

– campanhas que apresentem os benefícios sociais do uso das bicicletas sejam realizadas continuamente;

– hajam zonas livres de automóveis na cidade, para uso dos pedestres e bicicletas;

– hajam centros populares de incentivo ao uso das bicicletas, apoiando os ciclistas com informação, manutenção das bicicletas e distribuição de equipamentos de segurança; e

– se encontre formas populares de incentivar o aumento da durabilidade dos automóveis, resistindo à obsolescência programada, recuperando motores e batalhando para implantação de novos combustíveis ecológicos e locais – como o reaproveitamento do óleo de cozinha, e produção do álcool da cana oriundo de pequenas propriedades.

Precisamos dar um basta na barbárie instalada. A ordem lógica do trânsito precisa ser re-estabelecida. Justificativas já temos suficientes. Contamos com seu bom senso para implementar um modelo de transporte que seja mais humano em Porto Alegre. É hora de subir na bicicleta, de mobilizar, sair da posição de expectadores para protagonistas de mudanças sociais.

Basta de ciclovias de papel. Que elas saiam para as ruas!

Grupo Mamangava

InGá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais

CasaTierra

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