Ferrari admite ter ‘dedurado’ fabricante de pneus

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Publicado quarta-feira, 3 de setembro de 2003 as 11:07, por: cdb

Uma confissão de Ross Brawn pode suscitar uma reação em cadeia na F-1. A Ferrari admitiu nesta quarta-feira que foi ela quem deu o “alerta” à FIA sobre a questão do aumento da largura dos pneus Michelin durante as corridas – e não a Bridgestone, como havia sido informado. O time italiano teria contatado a entidade depois ter visto algumas fotos que evidenciavam que os compostos da parte dianteira tinham uma largura maior que o permitido – acima dos 270mm, considerando a superfície de contato com a pista.

O autor da confissão foi o diretor-técnico da escuderia italiana, Ross Brawn. “Tudo começou em Budapeste quando a Bridgestone pegou algumas fotos tiradas no paddock por um fotógrafo japonês”, contou o dirigente à Gazzetta dello Sport. “Elas mostravam de um jeito indubitável que os pneus dianteiros da Michelin tinham uma largura excessiva ao final da corrida ou depois de terem sido usados”, prolongou.

“Informamos ao Charlie Whiting (delegado técnico da FIA) que, com base em suas medidas e nas fotos, então mandou a famosa carta”, explicou Brawn. A carta mencionada foi a que a FIA mandou na terça-feira da semana passada, em que “lembrava” as dez equipes de que não poderia haver desrespeito à regra que estabelece a medida dos compostos dianteiros.

Brawn, indiretamente, comentou ter dado um préstimo à F-1. “Poderíamos ter simulado não ter visto nada, não deixar a FIA ter sabido e ter feito uma reclamação na corrida seguinte (o GP da Itália), mas não pareceu ser a coisa certa a fazer”, declarou. “A Michelin percebeu que se aproveitou de uma vantagem ilegal por um tempo, muito tempo”, acrescentou.

Esta revelação pode desencadear uma reação da Michelin e das parceiras da fornecedora francesa, já que Max Mosley, presidente da FIA, negou com veemência ter sido a Ferrari a autora da confissão. A fama da entidade sempre foi a de protetora do time de Maranello.