Fernando Lugo: ‘Franco poderia ser Prêmio Nobel de Economia’

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado sexta-feira, 19 de outubro de 2012 as 10:38, por: cdb

Tradução: ADITAL

Dessa forma, criticou o polêmico aumento de mais de 700% do patrimônio do presidente paraguaio

O destituído presidente paraguaio, Fernando Lugo, em entrevista a RT, comentou a atual situação de seu país e as recentes acusações contra o mandatário Federico Franco pelo drástico aumento de seu patrimônio.

Lugo, que foi convidado a Argentina para dissertar em uma série de TV sobre a Guerra da Tríplice Aliança, do século XIX, além de criticar duramente as políticas executadas pelo atual presidente paraguaio, qualificou de vergonhosa a polêmica desatada pelo escandaloso aumento de mais de 700% do patrimônio de Franco.

Um patrimônio que ascenderia a 1.200.000 dólares, segundo a última declaração juramentada, aumento que surge nos últimos quatro anos. No entanto, Franco disse que havia sido um erro de cálculo de seus bens.

“É impossível que seja um erro contábil; cada um sabe o patrimônio que tem. É impossível que uma pessoa que ganhe 12 milhões ao mês possa economizar 91 milhões ao mês. É o milagre da economia; poderia ser um Prêmio Nobel de Economia”, disse Lugo entre sorrisos.

“Creio que é uma mentira grande, insustentável. O Código Civil tem uma categorização muito clara sobre os que mentem em um documento público; é fatível que Franco seja imputado, julgado e encarcerado”, agregou.

O mandatário destituído referiu-se também à vitória contundente do presidente venezuelano Hugo Chávez nas últimas eleições presidenciais na Venezuela, um país que tem tensas relações com o Paraguai.

“No dia 7 de outubro, o povo venezuelano falou, e o próprio candidato da oposição (Henrique) Capriles reconheceu que a voz do povo é sagrada. Creio que é irrepreensível a liderança que Chávez exerce em seu país, o êxito de seus projetos e programas de governo”, comentou.

Enquanto aos impasses diplomáticos entre Caracas e Assunção, Lugo assinalou que, no momento, “não estão confirmados ainda; não há uma comunicação por escrito”.

No entanto, esclareceu que as medidas adotadas por Caracas, “é a mesma moeda de como têm sido tratados os representantes venezuelanos no Paraguai, também convidados a sair do país em um curto período de tempo”.

Quanto à dissertação para a qual foi convidado, em comemoração à Guerra da Tríplice Aliança, um conflito bélico que a Argentina, o Brasil e o Uruguai declararam a seu país, o ex-presidente paraguaio disse que essa guerra seria impossível no contexto atual de integração regional.

[Norberto Duarte-AFP, 18 outubro 2012]