Fernandinho Beira-Mar não fica em São Paulo “de jeito nenhum”

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Publicado terça-feira, 11 de março de 2003 as 20:52, por: cdb

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta terça-feira que não pretende “de jeito nenhum” atender aos apelos do governo federal para estender o prazo de permanência de Fernandinho Beira-Mar na penitenciária de Presidente Bernardes.

“O que nós combinamos com o ministro da Justiça (Márcio Thomaz Bastos) foi bastante claro, que seria numa situação de emergência. Autorizamos por 30 dias (a estada de Beira-Mar), mas não há razão para prorrogar isso”, explicou.

Na avaliação de Alckmin, já que o ministro Thomaz Bastos definiu que Beira-Mar não voltará para o Rio há outras possibilidades. “A Polícia Federal pode cuidar do preso”, disse. “Explicamos que ele (Beira-Mar) não pode ficar em Presidente Bernardes porque não cometeu crime em São Paulo.”

Para o governador, o que importa não são apenas as instalações da penitenciária de Presidente Bernardes, com chapas de aço no subsolo para evitar fugas, entre outros dispositivos de segurança, e sim o “regime disciplinar”.

“O mais importante é o regime disciplinar, e isso pode ser conseguido em qualquer penitenciária do Brasil”, explicou. Alckmin reafirmou que recebeu Beira-Mar por questão de responsabilidade e solidariedade com o Estado do Rio.

O traficante foi do presídio de Bangu 1, no Rio, para a penitenciária de segurança máxima de Presidente Bernardes no dia 27 de fevereiro.

Grupo de extermínio

Sobre a possibilidade da existência de um suposto grupo de extermínio, que seria formado por policiais da cidade de Garulhos, na Grande São Paulo, Alckmin pediu cautela.

“Vamos investigar, mas é preciso ter cautela, para não prejudicar pessoas que são inocentes”, disse. “Se acusarmos e ficar provado que os policiais são inocentes, quem vai reparar a perda da polícia? Por isso é preciso investigar antes de acusar.”

Segundo o secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro, já há uma força-tarefa atuando nas investigações do suposto grupo de extermínio em Garulhos, com a presença de um promotor de Justiça da cidade.

Sobre a possibilidade da existência de um cemitério clandestino na cidade, onde foram encontrados dois crânios, Saulo disse que há mais indícios que o local tenha sido usado para “desova” dos corpos, mas que isto também está sendo investigado. O secretário disse que o governo de São Paulo pune os maus policiais e quer acelerar a via rápida.