Feministas exigem cancelamento de concurso Miss Mundo em Londres

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Publicado segunda-feira, 25 de novembro de 2002 as 15:33, por: cdb

Grupos de feministas exigiram nesta segunda-feira o cancelamento do concurso de beleza Miss Mundo 2002, cuja organização foi transferida para Londres depois que planos de sua realização na Nigéria provocaram choques entre cristãos e muçulmanos, nos quais morreram pelo menos 175 pessoas, na semana passada.

Além de enfrentar os protestos, a capital britânica está às voltas com problemas para encontrar um local adequado para o evento — marcado para 7 de dezembro — porque os teatros Royal Albert Hall e Earls Court já estão reservados para essa data.

A ex-atriz Glenda Jackson, que é membro do Parlamento, defendeu a suspensão do concurso.

“O melhor que se pode fazer depois desses acontecimentos sangrentos é cancelá-lo”, opinou.

A feminista australiana Germaine Greer declarou que realizar o concurso em Londres era uma idéia “horripilante”.

A escritora Muriel Gray afirmou que “essas moças estarão vestindo trajes de banho manchados de sangue”.

A romancista Kathy Lette comparou o concurso a “um carregamento de lixo nuclear desprezado por todos”.

O governo da Nigéria havia se empenhado para sediar o concurso de Miss Mundo na esperança de melhorar a imagem do país e impulsionar o turismo.

Mas os planos fracassaram. Uma onda de violência, que começou na quarta-feira e se estendeu até o final de sábado, na cidade de Kaduna, foi deflagrada por um artigo de um jornal local, que inflamou os muçulmanos ao dizer que o profeta Maomé gostaria de se casar com uma das candidatas se ainda estivesse vivo.