Fed corta juros, Bovespa sobe na hora e dólar desaba

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Publicado terça-feira, 22 de janeiro de 2008 as 12:00, por: cdb

O Federal Reserve reduziu, nesta terça-feira, a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,75 ponto percentual, para 3,5%. O movimento é uma medida emergencial para dar suporte à economia do país, que enfrenta a crise do setor imobiliário. O Fed também reduziu a taxa de redesconto em 0,75 ponto, para 4,0%. Após a notícia, a Bolsa de Valores de São Paulo subiu na manhã desta terça-feira e, às 11h42, o Ibovespa – principal índice da instituição – avançava 3,9%, para 55.778 pontos. Minutos antes, o indicador chegou a avançar 4,2%.

Na véspera, o índice havia caído 6,6%, diante do aumento de temores de recessão nos EUA.

Aqui no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) realiza esta semana sua primeira reunião do ano para decidir a taxa básica de juros do país. A primeira parte do encontro do Copom, nesta terça-feira, avalia as condições macroeconômicas do país e os fatos relevantes da economia mundial. Nas duas últimas reuniões, a autoridade monetária decidiu manter a Selic no atual patamar, de 11,25%.

Até a manhã desta terça, analistas de mercado acreditavam que o Copom não vai mexer na Selic por um bom tempo. Na pesquisa semanal Focus, do Banco Central (BC), divulgada nesta segunda-feira, as principais instituições financeiras do país apostavam que, até o fim deste ano, a taxa será de 11,25%, um pouco acima da previsão anterior, de 11,13% anuais. Os analistas financeiros modificaram pela segunda semana consecutiva a perspectiva para a Selic ao final de 2008. Setores do mercado, porém, esperam que o BC volte cortar os juros em 2009, quando acreditam que a Selic deve terminar em 10% ao ano.

A inflação tornou-se fonte de preocupação do mercado, no curto prazo, segundo o Focus.

Câmbio e ações

O dólar comercial, que estava cotado a R$ 1,820 para venda, já em declínio de 0,54%, nas primeiras horas do pregão desta terça-feira, desabou para R$ 1,800 às 11h30, após o anúncio do corte nos juros norte-americanos. Nesta segunda-feira, a taxa de câmbio foi de R$ 1,830, com avanço de 2,52%.

As Bolsas asiáticas ainda fecharam em queda, nesta terça. com os investidores temerosos sobre o futuro da economia norte-americana, o que pode afetar as exportações da Ásia para os EUA. A Bolsa de Hong Kong teve queda de 8,7%, Xangai de 7,22%, Shenzhen de 7,06% e Tóquio encerrou com o índice Nikkei 225 em baixa de 5,64%.

O temor é generalizado entre investidores e analistas de que o país mais rico do mundo esteja à beira de uma recessão. Autoridades brasileiras, a exemplo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, já admitiram que o país não deve passar incólume por uma recessão dos Estados Unidos. Ele ressaltou, no entanto, que o Brasil está mais preparado, hoje, para enfrentar um cenário adverso.

As Bolsas européias também voltaram a cair nesta terça-feira, após o pregão desta segunda-feira, quando as perdas passaram de 7% em alguns mercados. Continua, nessa parte do mundo, a preocupação com a possibilidade de recessão nos EUA. Na Ásia, as Bolsas também tiveram outro dia de quedas, com perdas expressivas em Hong Kong, Xangai e Tóquio.

A Bolsa de Hong Kong houve queda de 8,7% –perto da maior perda já registrada, de 8,8%, após o 11 de Setembro. A Bolsa de Xangai fechou em queda de 7,22% (maior 4 de junho). O índice Nikkei 225, da Bolsa de Tóquio, fechou em queda de 5,64%. Na Índia, a queda foi tão forte que as negociações chegaram a ser suspensas.

Apesar da queda da Bolsa de Tóquio e da valorização do iene frente o dólar, ministros japoneses afirmaram que o governo não vai intervir no mercado. O vice-ministro porta-voz, Matsushige Ono, afirmou que o governo espera que a economia continue se recuperando, mas destacou que acompanhará os eventos nos mercados de perto.

Às 10h18 (em Brasília), a Bolsa de Londres operava em baixa de 0,71%, com 5.538,40 pontos; a Bolsa de Paris caía 0,92%, para 4.700,65 pontos; a Bolsa de Frankfurt estav