Fazendeiro acusado de matar funcionário de banco é preso

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Publicado terça-feira, 25 de fevereiro de 2003 as 22:32, por: cdb

O fazendeiro Alexandre Titoto é suspeito de ter assassinado o funcionário do grupo BNP Paribas Carlos Alberto de Souza Araújo, domingo em Ribeirão Preto (314 km de SP).

A suspeita da polícia é que o crime tenha sido cometido em razão de uma dívida. A causa da morte foi traumatismo craniano, provocado por pancadas na cabeça.

Titoto foi preso na manhã desta segunda-feira em Mococa e encaminhado à tarde para uma cela no 1º DP (Distrito Policial) de Ribeirão, após a Justiça decretar sua prisão temporária. Lá, segundo o delegado Odacir Cesário da Silva, ele não falou sobre o crime, mas forneceu pistas para a polícia chegar ao local onde estava o corpo de Araújo.

“Há evidências suficientes para caracterizar um homicídio”, disse o delegado Samuel Zanferdini.

O advogado do fazendeiro, Heráclito Mossin, negou que ele esteja envolvido no crime e disse que seu cliente só falaria em juízo. Segundo ele, Titoto era amigo de Araújo e cliente antigo do BNP (Banco Nacional de Paris), no qual mantinha empréstimos.

Titoto é dono de fazendas em Serrana. Ele é da família dos donos da usina Ipiranga, com sede em Descalvado e filial em Mococa, mas deixou de ser sócio.

A polícia crê que Araújo e Titoto se encontraram no domingo à tarde para tratar de negócios no escritório do fazendeiro em um edifício comercial no Jardim Irajá.

Conforme a polícia, Titoto chegou ao local primeiro, em um Mercedes-Benz, estacionou o veículo no prédio e seguiu até a sala dele, no quarto andar. Cerca de 15 minutos depois, ainda segundo a polícia, Araújo parou seu Land Rover na frente do edifício e foi ao encontro de Titoto. Passados cinco minutos, o vigia Agenor Soares Nogueira, de acordo com a polícia, ouviu barulhos de pancadas no prédio, e saiu da portaria para verificar o ocorrido.

De acordo com o depoimento do vigia à polícia, quando voltou à portaria encontrou o fazendeiro, que solicitou a ele que aguardasse um motorista particular na calçada da garagem, que não apareceu.

Dez minutos depois, Titoto saiu do prédio com o Mercedes. A polícia acredita que a solicitação do fazendeiro ao vigia foi feita para despistar a atenção de Nogueira e retirar o corpo sem ser visto pelo circuito interno de câmeras, que não grava as imagens.

Logo depois da saída do fazendeiro, o vigia Odair Ferreira viu manchas de sangue no elevador do prédio, no chão e nas paredes do corredor da sala do fazendeiro e nas escadarias. Avisou, então, o síndico Cassius Maggioni.

Uma hora e meia depois, Titoto voltou a pé ao prédio, e saiu com um segundo veículo, um Corolla, que estava estacionado na garagem. Segundo depoimento do síndico, ele aparentava indiferença ao fato de os vigias terem encontrado o sangue no prédio, mas demonstrou surpresa ao saber que a polícia havia sido chamada. Tanto que foi embora do local.

Ao chegar ao prédio, a polícia arrombou a porta da sala e encontrou poças de sangue e os imóveis desarrumados. Achou ainda dois pedaços de madeira com marcas de sangue e um cheque rasgado em nome do fazendeiro no valor de R$ 405 mil, em um cinzeiro.

O cheque, segundo Mossin, seria uma espécie de caução para a renovação de uma dívida.

No final da tarde desta segunda-feira, a polícia localizou o Mercedes em que supostamente Titoto teria levado Araújo. O corpo do funcionário do banco foi achado em um canavial próximo ao veículo, na fazenda da Barra, em Altinópolis.