Faturamento de micros e pequenas cai 7% em 2001

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Publicado segunda-feira, 10 de dezembro de 2001 as 17:25, por: cdb

As micro e pequenas empresas do estado de São Pasulo fecharam 2001 com redução de 7,% no faturamento, sobre 2000. Segundo o superintendente do Sebrae-SP- Fernando Leça – a entidade que realizou a pesquisa – este resultado se deve “ao aumento das taxas de juros, crise energética e desaceleração da economia mundial”.

Segundo Leça, a pesquisa revelou, ainda, que o nível de pessoal ocupado ficou praticamente idêntico ao verificado no final do ano anterior. “E a folha de salários cresceu 3,5%, na comparação com 2000”.

Para o coordenador do Sebrae-SP, as perspectivas para 2002 apontam para uma tendência de melhora gradual para o segmento das micro e pequenas, que deverá se acentuar no segundo semestre do próximo ano. “Mas os primeiros seis meses ainda serão muito difíceis para a economia brasileira.”

Ressaltou que as taxas de juros que atingiram níveis muito altos no segundo semestre deste ano, “não deverão ter queda significativa e o dólar deve manter a valorização próxima da atual”. Disse ainda que a desaceleração da economia mundial e a crise da Argentina devem também se desenrolar por mais alguns meses. “Porém, a expectativa é que a partir do segundo semestre todos esses fatores já tenham sido absorvidos, o que resultaria na queda de juros e na valorização cambial”.

Apesar do resultado final, que pode ser creditado, em grande parte, ao péssimo desempenho do setor no mês de outubro, com queda de mais de 6% no faturamento, Leça ainda está otimista : “a crise energética, apesar de ter impactado alguns investimentos não provocou a recessão esperada”. E ressalta: “os últimos três meses do ano devem registrar recuperação de vendas, por razões sazonais e com destaque para bens não duráveis”.

De acordo com Leça, no mundo inteiro, vários acontecimentos influenciaram negativamente o crescimento econômico. E exemplifica que a crise da Argentina desencadeou movimentos especulativos que levaram o dólar no Brasil a outro patamar e a valorização da moeda norte-americana tornou-se uma fonte de pressão nos custos das empresas americanas. Esclarece que a isso se deve em parte por causa dos preços dos insumos importados ( petróleo, farinha de trigo) e parte como consequência do aumento de preços dos insumos de produção nacional atrelados ao dólar como aço, alumínio e celulose.

O coordenador do Sebrae-SP frisou que, no Brasil, os movimentos especulativos e a alta do dólar fizeram com que o governo optasse pela elevação da taxa de juros, que resultou em mais desestímulo ao consumo e aos investimentos internos. “E a desaceleração nas economias do Japão e dos EUA – quadro que se agravou com os atentados, de 11 de setembro , reduziu o espaço para o crescimento das exportações brasileiras.”

Ele acredita, ainda, que um dos maiores gargalos para o segmento é a falta da concessão de crédito e que o Brasil deveria dispor dos chamados “micro bancos” como já existentes em outros países, que disponibilizam empréstimos, com juros reduzidos. Vê como uma das soluções a solução autorizada , pelo presidente FHC, para que algumas instituições, como ONGs, disponibilizem linhas de créditos.