Farc ainda querem trocar seqüestrados por colegas

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Publicado sexta-feira, 12 de setembro de 2003 as 13:32, por: cdb

O líder das Farc afirmou hoje que ainda deseja trocar seqüestrados seus por rebeldes presos, apesar das “adversidades” da luta do Governo contra esse grupo.

“As Farc, apesar dessas adversidades, mantêm inváriavel sua vontade política de buscar a assinatura da troca com um Governo que tenha a mesma disposição”, disse Pedro Antonio Marín, conhecido como Manuel Marulanda Vélez, vulgo “Tirofijo”, em uma carta divulgada hoje pela Internet.

O texto foi enviado pelo chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) das “montanhas da Colômbia” aos ex-presidentes Alfonso López Michelsen (1974-1978), Julio César Turbay (1978-1982) e Ernesto Samper (1994-1998).

O chefe rebelde alude a um comunicado que os ex-governantes dirigiram ao presidente Alvaro Uribe e a ele no qual sugeriram a assinatura de um “acordo humanitário” para pôr um fim na dor de dezenas de políticos, soldados e policiais.

Uribe rejeitou na semana passada o pedido e disse que não pode receber uma carta na qual a figura institucional do Presidente da República é colocada “no mesmo nível que a do chefe do terrorismo”.

“Tirofijo”, de quase 74 anos, destaca em sua carta que o convite dos ex-presidentes “parece bom porque reafirma mais uma vez seu interesse já expressado há alguns meses de contribuir na consecução do acordo entre o Governo e as Farc”.

O comandante guerrilheiro lamenta que Uribe não considere “a importante colaboração que poderia aproximar as partes”.

Para o rebelde, a “negativa oficial” é uma prova contundente da evidente ausência de vontade política de se buscar uma saída diferente ao confronto com as Farc.

Com isso, acrescenta, “as dias continuam passando e a dor e o sofrimento das pessoas privadas da liberdade e de seus familiares continuam aumentando, nas prisões do regime e nas montanhas da Colômbia”.

As Farc mantêm seqüestrados a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, cinco congressistas, um ex-ministro, um ex-governador, uma dúzia de deputados regionais, meia centena de policiais e soldados, e três americanos, entre outros.

A principal guerrilha colombiana pretende trocar essas pessoas, denominadas “cambiáveis”, por mais de 500 rebeldes presos.

O Governo de Uribe aceita o intercâmbio humanitário, com a gestão das Nações Unidas, e que os guerrilheiros presos vão para um país que os acolha e não voltem às filas rebeldes.