Família é fator determinante no desempenho escolar

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Publicado sexta-feira, 17 de setembro de 2004 as 09:33, por: cdb

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, do Ministério da Educação (Inep/MEC), revelou que fatores externos à vida escolar estão diretamente ligados ao desempenho do aluno em sala de aula. Dados do questionário sócio-econômico aplicado junto às provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb/2003) mostraram, por exemplo, que 36,8% dos estudantes com mães que nunca estudaram, tiveram desempenho muito crítico no exame. Por outro lado, apenas 10,5% dos alunos que tinham mães com ensino superior completo obtiveram resultado negativo.

– Apesar de ser um fato que a influência das famílias é fator determinante no aprendizado das crianças, é também uma necessidade da escola reconhecer que um grande número de famílias não tem condição objetiva de acompanhamento das crianças escolarizadas – alertou o diretor da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (UNB), professor Erasto Mendonça.

Ele ressalta que para essas crianças, que se encontram principalmente na fase de desenvolvimento até a adolescência, a participação dos pais no dia-a-dia da escola faz toda diferença. Segundo Mendonça, se a família não consegue oferecer condições melhores de acompanhamento e atenção, é papel da escola preencher essa lacuna.

– Ao mesmo tempo que a gente reconhece a influência dos pais, da escolaridade dos pais, o ambiente cultural onde a criança está imersa, é necessário reconhecer que a escola precisa se estruturar por si mesma na aprendizagem – afirmou o professor.

Outro aspecto destacado pela pesquisa é que os alunos que estiveram mais tempo na educação infantil alcançaram melhores notas no Saeb 2003. Assim, somente 12,2% dos alunos que declararam ter começado a vida escolar no maternal tiveram desempenho muito crítico, enquanto 28,5% dos estudantes que disseram ter iniciado os estudos na primeira série do ensino fundamental tiveram dificuldades na prova.

– Até porque nessa fase, após três anos de idade, muito do desenvolvimento da criança é conseguido através de estimulação, que as escolas deveriam estar preparadas para fornecer à criança – explica Erasto Mendonça, que é especialista em educação básica: ensino infantil, fundamental e médio.

O presidente do Inep, professor Eliezer Pacheco, reconhece que é preciso levar em consideração os fatores externos para traçar planos de aprendizagem e melhores investimentos no sistema educacional. – Não é possível mais fazer educação sem levar em consideração esses aspectos – disse.

Para Eliezer, é necessário que a escola e seus projetos político-pedagógicos levem em consideração não apenas as atividades internas, mas procurem desenvolver atividades externas, envolvendo as famílias e outras entidades ligadas às crianças como Conselho Tutelar, secretarias de Saúde, Esporte e Cultura tanto do município quanto do estado.

– Embora caiba aos organismos específicos definir as políticas educacionais, é necessário que o Estado como um todo, que o governo como um todo, aja de forma articulada visando a melhorar os níveis de aprendizagem de nosso país – afirmou.