Família de jornalista pede médicos no Marrocos

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Publicado sexta-feira, 4 de julho de 2003 as 02:06, por: cdb

A família do jornalista marroquino Ali Lmrabet, que no dia 24 de junho interrompeu a greve de fome que estava fazendo em protesto por sua detenção, pediu, nesta sexta-feira, autorização para que médicos espanhóis o visitem.

Em uma carta enviada ao ministro marroquino de Justiça, Mohamed Buzubá, Hassan Lmrabet, irmão do jornalista, informa que Ali ainda não teve acesso a cuidados médicos “adequados” e por isso “sua saúde continua piorando”.

Segundo o irmão de Ali Lmrabet, um grupo de médicos espanhóis “especialistas em situações de saúde complexas”, procedentes de Barcelona, se ofereceram para ir ao Marrocos visitar o jornalista. Lmrabet está internado na seção penitenciária do hospital Avicena de Rabat, onde divide quarto com presos comuns.

O local onde está não é, de acordo com sua família, “adequado”, já que a “gravidade de seu estado” requer sua transferência para uma “unidade de cuidados intensivos”. Hassán Lmrabet diz que “não consegue se alimentar” por causa de uma diarréia constante, “continua perdendo peso” e “apresenta complicações, como transtornos nervosos e visuais, uma tosse sufocante e cólica nefrítica”.

A família do jornalista termina a carta pedindo ao ministro que transfira Ali Lmrabet a uma unidade médica “adaptada” a seu estado de saúde. Na terça-feira passada, um grupo de médicos marroquinos enviou outra carta ao ministro de Justiça, informando que a vida de Ali Lmrabet corre perigo e pedindo sua transferência a uma unidade de cuidados intensivos.

O próprio Ali Lmrabet, em nota de próprio punho, acusou nesta quinta o Governo marroquino de querer seu “exílio”, baseado em declarações feitas pelo ministro de Interior, Mustafá Sahel, que o acusava de “envenenar o ambiente”.

A acusação foi feita porque o jornalista rejeitou a possibilidade de ser transferido para a França, o que poderia ocorrer, pois possui dupla nacionalidade.

Lmrabet justificou sua decisão alegando que o que lhe tinha sido proposto era “mudar de uma prisão marroquina para outra francesa”. Ali Lmrabet foi condenado em apelação a três anos de prisão por “ultraje ao rei” no dia 17 de junho.

O jornalista foi preso no dia 21 de maio, logo após o julgamento em primeira instância, e cinco dias depois teve que ser trasladado ao hospital Avicena de Rabat devido à piora de seu estado de saúde em função da greve de fome.