Faetec pretende alfabetizar 600 mil no Estado do Rio

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Publicado quarta-feira, 15 de janeiro de 2003 as 12:19, por: cdb

Um projeto inédito de alfabetização apresentado pela Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) do Rio ao ministro da Educação, Cristovam Buarque, incentivou o governo federal a liberar R$ 10 milhões para o programa ABCTec. O projeto-piloto será desenvolvido em cinco municípios do Estado fluminense – Santo Antônio de Pádua, Duque de Caxias, Valença, Búzios e a capital. Serão três meses de teste, conforme o programa.

As cidades foram escolhidas de acordo com o índice de analfabetismo e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A Faetec – órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Inovação e Tecnologia – não estabeleceu
parcerias com o setor privado. A intenção, segundo o presidente Cláudio Mendonça, é mobilizar a sociedade em torno do assunto, que ganha pauta nas esferas dos governos estadual e federal.

_ Trabalhamos em três vertentes: mobilização social, tecnologia e educação profissional. Uma pessoa que aprender a ler um livro, por exemplo, vai ver que o mundo dele mudou.

A grande batalha no projeto será o cadastro de analfabetos. E a Faetec mostra as armas: além de propaganda na mídia, vai criar um call-center para cadastro de educadores (podem ser professores ou
universitários) e os próprios interessados no processo de educação.

_ Não temos um parceiro privilegiado porque queremos a mobilização de toda a sociedade. Se eu, isoladamente, quiser abrir um posto de cadastro em minha casa, posso passar as informações pela internet para o banco de dados. Vamos precisar muito de empresas, da igreja e dos órgãos públicos na divulgação do programa e cadastramento.

A Faetec pretende implantar o seguinte sistema: haverá turmas com 20 alunos, comandadas por educadores. Estes, por sua vez, serão inspecionados pelos supervisores – responsáveis por cinco turmas. Ao final do curso – com duração aproximada de 3 a 4 meses – o aluno escreverá uma carta. O governo, então, vai pagar R$ 80 por carta
escrita. O educador também será remunerado (o valor ainda não foi definido) e o supervisor vai receber R$ 20 por cada carta escrita.
Durante o programa, o alfabetizando terá direito a refeições.

_ O supervisor vai assistir à aula ministrada pelo educador e avaliá-la. O educador também vai passar as informações do desenvolvimento de cada aluno – comenta Mendonça.

Cláudio Mendonça acredita no sucesso do projeto-piloto – o primeiro a responder às expectativas do governo Lula. O Ministério da Educação ainda não adotou o método a ser utilizado em todo o país para erradicar o analfabetismo até 2004, segundo a meta do governo.