A face autoritária de Eduardo Cunha

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Publicado quinta-feira, 15 de outubro de 2015 as 15:15, por: cdb

Por Mário Augusto Jakobskind, do Rio de Janeiro:

Colunista conta um ato autoritário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, contra a liberdade de expressão
Colunista focaliza um ato autoritário do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, contra a liberdade de expressão

Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, resta saber até quando? Esta figura que vem de longe em matéria de acusações sobre corrupção protagonizou um episódio que confirma também o seu caráter autoritário e de inimigo da liberdade de expressão.

Pois bem, a informação divulgada pelo blog de Chico Santana, um jornalista confiável lá de Brasília, assinala que o diretor-executivo da secretaria de Comunicação da Câmara, Claudio Lessa, nomeado recentemente por Cunha, decidiu retirar do ar o programa Participação Popular, uma das principais atrações da TV Câmara, que no ano passado ganhou o Prêmio Engenho da Comunicação e já conta com 300 edições.

A última edição do programa ocorreu no dia 9 de outubro e o encerramento pegou não só toda a equipe de surpresa, como os próprios telespectadores. Não houve aviso anterior nenhum.

Fabricio Rocha, o apresentador, jornalista concursado da Câmara Federal, é filiado ao PSOL, mesmo partido que entrou com representação no Conselho de Ética pedindo a cassação de Cunha.

A suspensão do programa, segundo informação de bastidores, foi motivado por represália ao jornalista em função do PSOL ter pedido a cassação de Cunha.

Vale lembrar também que de

acordo com os últimos levantamentos da TV Câmara, o programa está entre os três com maior audiência da emissora, ao lado de Brasil Caipira e Câmara Ligada.

Revela ainda o jornalista Chico Santana que o programa é o que tem a linha mais popular da grade da TV Câmara já que o público participa com perguntas e comentários a partir de links espalhados por Brasília ou em outras capitais. O formato ainda permite participações por e-mail, pelo telefone gratuito da Câmara e pelas redes sociais por meio do twitter ou facebook. No estúdio, dois convidados participam dos debates e um deputado é ouvido pelo telefone.

A vendeta de Cunha determinada através de Lessa é na verdade um ato menor de represália. Como o fato dificilmente será divulgado pela mídia hegemônica, é preciso que a opinião pública seja informada, inclusive para ficar sabendo de que Cunha e sua gente apronta nos mais variados espaços.

Se Cunha e seus protegidos são capazes de fazer o que fizeram com o programa Participação Popular, pode-se imaginar o que o presidente da Câmara dos Deputados tem feito no exercício da função.

Por estas e muitas outras, inclusive a mais recente revelação da Procuradoria da Suíça sobre as contas bancárias do presidente da Câmara dos Deputados, que Cunha disse mentirosamente que não tem, está na hora de os parlamentares exigirem imediatamente o afastamento dele da função que ainda continua a exercer.

Além disso, não se pode admitir que em função da baixa política, haja algum acordo para evitar a cassação de Cunha ou até mesmo a sua prisão no caso de ser julgado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal.

Ah, sim, se Cunha não fosse deputado, as acusações contra ele já teriam lhe proporcionado uma prisão. Por muito menos tem gente presa na Operação Lava Jato.

 

 

Mário Augusto Jakobskindjornalista e escritor, correspondente do jornal uruguaio Brecha; membro do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (TvBrasil). Consultor de História do IDEA Programa de TV trasnmitido pelo Canal Universitário de Niterói, Sede UFF – Universidade Federal Fluminense Seus livros mais recentes: Líbia – Barrados na Fronteira; Cuba, Apesar do Bloqueio e Parla , lançado no Rio de Janeiro.

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