Fabricantes de avião disputam oferta de compra

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Publicado sexta-feira, 12 de setembro de 2003 as 01:25, por: cdb

As quatro maiores fabricantes de aviões comerciais do mundo aterrissaram na sede da Air Canada na última quinta-feira, disputando uma fatia de uma oferta de compra que pode, possivelmente, chegar a mais de 3 bilhões de dólares.

O fato de a Air Canada estar sob concordata e lutando para evitar uma liquidação não intimidou altos representantes da Embraer SA, Boeing, Airbus, e Bombardier Inc..

Todos tinham o mesmo recado para o chefe-executivo da Air Canada, Robert Milton: compre nossos aviões e começará a ganhar dinheiro como nunca.

– A mensagem que estamos enviando aos canadenses e ao mundo é que a Airbus acredita no futuro da Air Canada. Vamos pensar no futuro em vez do passado – disse o chefe da Airbus North America, Henri Courpron.

A Air Canada pretende comprar até 100 aviões regionais, de entre 70 e 120 assentos, para expandir seus serviços regionais, o único segmento do setor aéreo que cresce desde os ataques de 11 de setembro aos Estados Unidos.

– É uma boa notícia para a Bombardier porque haverá mais aviões regionais em operação, pois essa é a maneira mais eficiente de uma companhia aérea ganhar dinheiro – disse o chefe da divisão aeroespacial da Bombardier, Pierre Beaudoin.

A Air Canada, com sede em Montreal, planeja a compra como parte de uma aquisição conjunta de mais de 200 aviões a ser feita com a alemã Lufthansa, a Austrian Airlines e a SAS, todos membros da Star Alliance.

Os quatro parceiros esperam obter melhores condições comprando aviões que são configurados da mesma forma, em vez de cada um receber uma aeronave customizada. Estão sendo levados em conta o Boeing 717, Airbus A318 de 107 assentos, Bombardier CRJ 700 (com 70 lugares) e CRJ 900 (90 lugares) e 170/190 da Embraer.

Executivos da Air Canada disseram que o pedido pode ser dividido entre mais de um fabricante, mas solicitarão a todos bons preços.

A Bombardier, um dos grupos líderes da indústria canadense, poderia ter uma vantagem sobre os demais já que a Air Canada opera com 25 de seus aviões regionais de 50 lugares.

– O avião operante sempre tem vantagem – disse Mark Hale, da Embraer.

Além disso, uma grande fábrica da empresa fica bem ao lado da sede da Air Canada.

– Este é um campo aberto, um jogo aberto, mas obviamente conhecemos bem estes caras – disse Milton, ao lado de Beaudoin e em frente de um Bombardier CRJ-900.

A Air Canada já conseguiu financiamento para 43 novos aviões da GE Capital Aviation Services, a maior locadora de aeronaves da empresa e também uma financiadora-chave da reestruturação da empresa, supervisionada pela Justiça.

O restante do financiamento viria de ajuda do governo, pois todos os fabricantes podem pedir aos seus respectivos governos empréstimos para exportar a seus clientes.

É onde a Bombardier diz que é tratada injustamente, pois não poderia pedir ajuda do governo para uma venda à Air Canada.

– Vender para um vizinho não é exportar. O Canadá deveria fazer um programa de encomenda para a Air Canadá , disse Beaudoin.

– É estranho que o fabricante local que cria empregos tenha desvantagem sobre um fabricante que está no Brasil – concluiu.