Exposição de Rembrandt mobiliza museu do Espírito Santo

Arquivado em: Arquivo-CdB
Publicado quarta-feira, 17 de março de 2010 as 16:38, por: cdb

A exposição Rembrandt e a arte da gravura chega ao Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (Maes), no Centro de Vitória, para uma temporada que mostrará toda a força e expressividade da obra do artista holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn (1606-1669), um dos maiores talentos que a humanidade já acolheu. A coleção de 78 gravuras e uma placa de impressão do mestre chegaram ao Estado nesta quinta-feira, e permanecem por aqui até 16 de maio. A abertura da mostra será às 20 horas e a entrada é franca.

O conjunto, que deixará provisoriamente o Museu Casa Rembrandt, em Amsterdam, apresenta um painel diversificado do que foi produção gráfica do artista. Inclui autoretratos; paisagens; retratos de anônimos e celebridades da época; alegorias; nus e cenas do cotidiano, como camponeses, saltimbancos, curandeiros, e até um homem urinando. O grupo mais numeroso é formado por cenas bíblicas e religiosas, tema favorito de Rembrandt.

A curadoria é de Janrense Boonstra, diretor do Museu Casa de Rembrandt, montado na casa que foi residência e ateliê do artista;  e Pieter Tjabbes, historiador de arte holandês, radicado no Brasil.

As gravuras

Rembrandt deixou um amplo legado de pinturas e desenhos, além de aproximadamente 300 gravuras. Por seu caráter reprodutível, as gravuras adquiriram visibilidade muito maior do que as obras únicas. Foi com a produção gráfica que o artista ganhou, ainda em vida, reputação na Europa. A espontaneidade dos traços, os tons profundamente negros e inconfundíveis, e o emprego magistral da ponta-seca tornaram as gravuras de Rembrandt muito apreciadas por colecionadores da época.

As obras em água-forte – técnica que nasceu na Idade Média e foi desenvolvida por árabes para fazer a decoração de armamentos – não eram uma atividade meramente suplementar, nem devem ser consideradas subproduto inferior de suas pinturas, hoje muito mais conhecidas. Durante toda a sua vida produtiva, Rembrandt sempre levou muito a sério o trabalho gráfico, desde a juventude em sua cidade natal, Leiden, até os tempos áureos como artista renomado em Amsterdam. Somente no fim da vida ele deixou, aos poucos, de criar gravuras.

Seus primeiros trabalhos gráficos foram pequenos retratos de sua mãe, que indicam o ano de 1628.  Neles, o estilo extremamente pessoal do artista já se evidencia: um estilo livre, com qualidades de esboço e um sombreamento que cria um efeito dramático de luz e sombra.

Enquanto os primeiros trabalhos de Rembrandt foram gravados a água-forte, com uso ocasional de outras técnicas, posteriormente o artista também recorreu à ponta-seca, em que o gravador risca diretamente sobre o metal com uma ponta. A fragilidade das gravuras, que têm mais de 300 anos, exige um ambiente expositivo com iluminação bastante reduzida. Assim, antes de entrar na sala principal, o visitante passará por uma antesala para acomodar sua visão à baixa luz, na qual estarão vários painéis e textos sobre o artista e seu trabalho.

As matrizes

O destino das matrizes de Rembrandt foi muito bem documentado já a partir do século XVII, mas pouco se sabe sobre como, antes disso, elas passaram do artista para outros proprietários. As matrizes dos retratos geralmente tornavam-se propriedade do modelo retratado. Com o passar do tempo, elas foram sendo vendidas para marchands, editores e colecionadores que fizeram, ou mandaram fazer, suas próprias impressões.

Em 1993, um grupo representativo de bons exemplares de matrizes foi adquirido pelo Museu Casa Rembrandt, que hoje possui o maior acervo do mundo em matrizes do artista. Atualmente, elas são consideradas importantes, sobretudo por revelarem a técnica e o método de gravação insuperáveis de Rembrandt. São valorizadas como verdadeiras obras de arte, e seu efeito estético não é inferior ao de uma boa impressão.

Rembrandt

Rembrandt Harmenszoon van Rijn nasceu em 5 de julho de 1606, em Leiden, na Holanda. Em 1621, ele deixa a universidade para se tornar aprendiz de Jacob Isaacz van Swanenburgh, um pintor de Leiden. Depois de um breve, mas importante aprendizado com o famoso pintor Pieter Lastman, em Amesterdam, Rembrandt abriu um estúdio em Leiden, dividindo-o com seu colega Jan Lievens. Lá ele tem seus primeiros aprendizes.

Entre 1631 e 1633, o artista muda-se para Amsterdã e hospeda-se na casa do marchand Hendrick van Uylenburgh. Lá ele pinta “A aula de anatomia do Doutor Tulp”, uma de suas obras mais famosas e revolucionárias.

Em 1634 casa-se com Saskia van Uylenburgh, sobrinha de Hendrick van Uylenburg, com quem adquire um casarão na rua Breestraat, que hoje faz parte do Museu Casa Rembrandt.

Em 1642, Saskia morre após longa enfermidade. A enfermeira da esposa,  Geertge Dircx, muda-se para a casa do artista, para cuidar de seu filho Titus, e torna-se sua amante. Neste ano ele finaliza sua obra “A ronda noturna”.

Em 1656, o artista fica totalmente endividado. Um ano depois seus bens são leiloados. Em 1662, ele pinta “Os síndicos da guilda de alfaiates de Amsterdã” e “A conspiração dos batavos”. Em 04 de outubro de 1669, Rembrandt morre, e é enterrado na igreja Westerkerk, em Amsterdam, quatro dias depois.

Serviço:
■ Rembrandt e a Arte da Gravura, exposição no Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio del Santo (Maes)
■ Abertura: quinta-feira (18)
■ Horário: 20 horas
■ Endereço – Av. Jerônimo Monteiro, 631, Centro, Vitória – Espírito Santo
■ Visitação – terça a sexta-feira – 10 às 18 horas – Sábados, domingos e feriados – 12 às 18 horas
■ Marcação de visitas: (27) 3132 8390
■ Entrada franca