Exportações brasileiras quase param em agosto

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Publicado segunda-feira, 20 de agosto de 2001 as 17:57, por: cdb

O modesto crescimento de 0,4% das exportações, na terceira semana de agosto, foi classificado como “estagnação de vendas” pelo presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedito Moreira. Segundo ele, o comportamento das exportações este ano vai refletir o fraco desempenho da indústria, e deve ser muito inferior ao resultado do ano passado. “Com o arrefecimento da produção não há como esperar aumento das exportações”, diz Moreira.

Estatísticas das vendas externas brasileiras feitas pela AEB confirmam uma queda vertiginosa nos últimos 30 anos. Na década de 70, a média de crescimento anual das vendas externas era de 21%; na de 80, caiu para 8% e, na de 90, despencou ainda mais, ficando em 3%. Para se recuperar, o setor exportador teria de crescer a um ritmo de 15% ao ano, em média. No ano passado, com o bom desempenho da indústria, as vendas externas conseguiram alcançar uma elevação de 14%. “Foi um pique de vendas e um resultado extemporâneo, porque, além da boa produção nacional, o mercado internacional também ajudou”, diz Moreira.

Este ano, além do crescimento da atividade industrial aquém do esperado, uma crise atingiu os principais parceiros comerciais do Brasil. “A balança não irá melhorar nestas condições. Os empresários não podem exportar o que não têm. Para resolver este problema é necessário, antes de mais nada, uma boa política de produção”, diz Moreira. Segundo o presidente da AEB, a desvalorização cambial tem servido muito mais para refrear as importações do que para estimular as exportações. “O câmbio não tem o poder de fogo sobre as vendas externas que muitos imaginam”, diz ele.

Ele alega que a desvalorização do real frente ao dólar também traz efeitos negativos sobre as exportações: coloca em desvantagem os empresários brasileiros que negociam no exterior (“ficamos mais fracos diante de outros competidores”), aumenta custos devido à importação de insumos, causa o aumento de tarifas internas e corrói a margem de benefício das empresas. “O problema das exportações é estrutural e não será resolvido apenas com uma mudança de conjuntura”, argumenta.