Explosão na Argentina foi atentado

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Publicado terça-feira, 23 de dezembro de 2003 as 00:24, por: cdb

O Governo argentino admitiu que a detonação de um explosivo durante uma manifestação de desempregados no último sábado se tratou de um ‘atentado’ e não de uma ‘bomba de barulho’ como se supôs em um primeiro momento.

Um grupo da ala dura dos ‘piqueteros’ (como se conhece aos desempregados que bloqueiam ruas em demanda de trabalho) reuniram-se hoje à tarde com o secretário-geral da Presidência, Oscar Parrilli, quem lhes prometeu investigar o sucedido.

– Nos vamos com a definição de que se vai colocar o peso do Governo na investigação e na punição desse ataque, que, segundo Parrilli, marca o limite da democracia e do que pode aceitar o Governo – disse Néstor Pitrola, líder do Pólo Operário, depois de reunir-se com o funcionário.
Pelo menos 23 pessoas ficaram feridas como conseqüência da explosão de uma bomba caseira colocada dentro de uma cesta de lixo em um lado da Praça de Maio, em frente a Casa de Governo. A explosão semeou o pânico entre os ‘piqueteros’ e os organismos de direitos humanos, que lembravam o segundo aniversário de uma explosão social que forçou a queda do Governo de Fernando de la Rúa (1989-1991).

As perícias da Polícia Federal indicaram que o explosivo que explodiu no sábado passado foi armado por um especialista, que utilizou um sistema eletromecânico de tempo, disse à agência DyN o juiz da causa, Norberto Oyarbide.
 
– Não constituiu um fato casual mas algo deliberado, preparado e executado por pessoas com conhecimento do tema (..) Uma peritagem realizada pela Polícia Federal dá conta do uso de elementos muito particulares, como a existência de um relógio utilizado para que o explosivo atuasse em um momento determinado – acrescentou.

A explosão fez com que o grupo mais duro dos ‘piqueteros’ realizasse um protesto na Praça de Maio e se reunisse com funcionários do Governo.
 
– Com bombas ou sem elas vamos continuar lutando, não nos vão amedrontar – disse Raúl Castells, líder do Movimento Independiente de Aposentados e Desempregados, depois da reunião com Parrilli.

O presidente do país, Néstor Kirchner, tinha enviado antes uma mensagem conciliadora aos ‘piqueteros’, ao pedir-lhes que acompanhem ao Governo no esforço de ‘construir e iniciar a Argentina do investimento e o trabalho’.
 
– Sei que há muitos irmãos que estão sem trabalho, mas não podemos sair de um dia para o outro e vamos estar solidariamente acompanhando vocês até que consigam trabalho – concluiu.