Explosão mata 32 na Rússia e Putin promete caçar os responsáveis pelo atentado

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Publicado quinta-feira, 9 de maio de 2002 as 17:49, por: cdb

A morte de 32 pessoas, incluindo sete crianças, na explosão de uma bomba durante uma parada militar em homenagem à vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial deixou a Rússia perplexa nesta quinta-feira e levou o presidente Vladimir Putin a fazer uma de suas mais graves advertências aos separatistas chechenos. “Vamos caçar a ralé”, afirmou Putin, acrescentando que os autores do atentado tinham que ser tratados como os nazistas.

A explosão da bomba, possivelmente detonada por controle remoto, aconteceu quando uma banda militar passava pela praça central da cidade de Makhachkala, no Daguestão, sul do país. As vítimas marchavam pela rua, em direção a um cemitério, para depositar coroas de flores do Túmulo do Soldado Desconhecido. Pelo menos 150 pessoas ficaram feridas.

Putin classificou os agressores como “terroristas” – a expressão comumente usada pelo Kremlin para descrever os separatistas da Chechênia, que faz divisa com a empobrecida província do Daguestão. “Este crime foi perpetrado por uma ralé que não tem respeito por nada”, reagiu Putin, após assistir a um desfile militar na Praça Vermelha, em Moscou, também pelo Dia da Vitória, que marca a derrota da Alemanha nazista, há 57 anos.

“Temos todo o direito de tratá-los como nazistas. Seu objeto único é espalhar a morte, semear o medo e matar. No mais curto prazo de tempo possível, vamos encontrar, condenar e punir os criminosos”, concluiu. De acordo com a agência Interfax, a bomba estava escondida no meio de arbustos e foi detonada quando a banda, cercada de crianças, passava. Para aumentar o poder de periculosidade, os autores do atentado misturaram pregos e parafusos à carga explosiva.

Coincidentemente, ao discursar em Moscou, antes do ataque no Daguestão, Putin disse que, assim como o nazismo, há 60 anos, o terrorismo é a nova ameaça em comum enfrentada pelo mundo. “Só poderemos confrontar essas ameaças unindo os esforços da população e do Estado”, ressaltou.

“Isso foi bem provado pela coalizão anti-Hitler. Os aliados derrotaram o inimigo. E hoje, estamos novamente unindo forças e encontrando aliados contra uma ameaça comum. O seu nome é terrorismo”, concluiu.

O Daguestão é cenário freqüente de atentados em pequena escala, influenciados pela violência na província vizinha da Chechênia. Há duas semanas, sete pessoas morreram e 45 ficaram feridas na explosão de uma bomba em uma feira na cidade de Vladikavkaz.