Expectativa de pacote argentino deixa o clima morno nas bolsas e no câmbio

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Publicado quarta-feira, 10 de outubro de 2001 as 17:52, por: cdb

A edição de um pacote argentino é quase uma certeza. Ainda que seja apenas na na percepção dos mercados financeiros do Brasil. A expectativa por medidas econômicas do governo vizinho fez com que as operações domésticas repetissem a tônica da semana e fechassem a quarta-feira com mais um pregão de investimentos encolhidos.

“A vinda ao Brasil de todo o gabinete e inclusive o presidente Fernando de la Rúa é para algo mais do que definir salvaguardas (comerciais). Algo está por vir”, comentou Rogério Mori, economista-chefe do Banco Santos, sobre o encontro de cúpulas argentina e brasileira na segunda e terça-feiras em solo tupiniquim.

O relatório diário do Espírito Santo Research também mencionou a espera dos mercados por medidas argentinas.

Nesta expectativa, a Bolsa de Valores de São Paulo teve mais uma sessão de volume financeiro débil, a terceira seguida abaixo da média diária do mês passado.

No câmbio, as transações à vista mantiveram-se restritas, segundo relato de operadores. Os negócios no mercado futuro não mostraram evolução expressiva frente ao giro diário do restante da semana.

No caso de apostas em juros futuros, o Depósito Interfinanceiro mais procurado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o de janeiro, superou bem a média diária de 130 mil negócios. O movimento, contudo, é atribuído à aproximação do encontro que definirá os novos rumos do juro básico no país. O resultado da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sai daqui a uma semana.

BC AGE E DÓLAR FECHA EM BAIXA

O dólar finalizou o dia a 2,772 reais na venda, com recuo de 0,35 por cento sobre a véspera. Neste patamar, o ganho da moeda norte-americana ante o real é de 3,78 por cento no mês e de 42,08 por cento no ano.

A baixa decorreu de uma reversão pela manhã, em seguida à realização de um leilão de títulos indexados ao câmbio.

“A liquidez (no mercado de câmbio) foi de razoável para médio e o dia foi bem tranquilo”, disse o operador de uma corretora de grande porte.

Um outro profissional, de um banco de investimentos, avaliou que o volume de negócios foi um pouco melhor que o registrado nos dias anteriores enquanto outros operadores –de bancos e corretoras– lastimaram mais um dia fraco.

Na BM&F, o vencimento de novembro cedeu 0,46 por cento e estimou o dólar a 2,8010 reais na virada do mês. Foram contabilizados 49.331 negócios pouco depois das 16h, contra média diária de 45 mil do início da semana.

BOVESPA TERMINA COM 2a ALTA CONSECUTIVA

O índice Bovespa <.BVSP>, que reúne as principais ações da praça paulista, terminou com a segunda alta consecutiva, ao avançar 1,73 por cento, para 10.462 pontos, conforme dados preliminares.

O giro financeiro limitou-se a 430,5 milhões de reais, inferior aos 482,7 milhões de reais da média diária de setembro. “O volume foi parco”, sintetizou laconicamente um operador de uma corretora fluminense.

Para Luiz Marcos Prudêncio, analista de investimentos da Concórdia Corretora, a Bovespa foi beneficiada ao longo do dia por “mercados internacionais em alta e também pelas expectativas de que o governo argentino implemente um pacote de reestruturação de dívida interna.”

Em Wall Street, os ganhos ampliaram-se à medida que a sessão evoluiu. No final, o Nasdaq <.IXIC>, que mensura o setor tecnológico, avançou 3,57 por cento, e o Dow, indicador dos 30 papéis mais líquidos, subiu 2,08 por cento.

ZUNZUNZUM SOBRE MUDANÇAS NA ARGENTINA ESPALHA-SE

A quatro dias das eleições legislativas, aumenta o zunzunzum sobre a iminência de mudanças na Argentina.

O economista-chefe do Banco Santos arrisca até o palpite de uma data para o anúncio. “A notícia pode sair na sexta-feira, até porque os políticos locais têm falado em fazer um programa antes das eleições.”

O dia, de acordo com Mori, também seria ideal já que há o feriado no Brasil pelo Dia da Padroeira.

Os comentários sobre alterações na Argentina ganharam o outro lado do Atlântico. Em Londres, u